Três dias após temporal, Xangri-Lá e Capão da Canoa ainda vivem reconstrução no Litoral Norte
Três dias após o violento temporal que atingiu o Litoral Norte do Rio Grande do Sul, moradores de Xangri-Lá e Capão da Canoa seguem reconstruindo casas, contabilizando prejuízos e aguardando a chegada de telhas para recuperar imóveis destelhados. O fenômeno foi marcado por rajadas intensas de vento e pelo registro de um tsunami meteorológico na costa gaúcha.
Embora não haja registro de mortes ou feridos graves, dezenas de famílias permanecem desalojadas em casas de parentes, enquanto equipes das prefeituras e das Defesas Civis distribuem lonas e materiais emergenciais.
Rainha do Mar, em Xangri-Lá, foi um dos locais mais atingidos. Capão da Canoa contabiliza pelo menos 50 destelhamentos e ainda enfrenta problemas com postes, falta de energia e danos em escolas.
Rainha do Mar tem ruas cobertas por entulhos e telhas
Na manhã de tempo firme, o cenário em Rainha do Mar era de reconstrução. Ruas permanecem tomadas por pedaços de telhas, madeira, vidros quebrados e fios caídos. Em diversos pontos ainda há água acumulada, consequência da combinação entre vento extremo e chuva.
Na Alameda 2 Safira, uma residência ficou praticamente destruída. O telhado foi arrancado e parte da estrutura desabou durante a madrugada, obrigando a família a abandonar o imóvel às pressas.
Moradores relatam que o vento começou por volta das 3h30 e, em poucos minutos, arrancou telhados, rompeu vigas e lançou destroços sobre as casas vizinhas. Muitos conseguiram sair apenas com documentos e alguns eletrodomésticos.
Casas seguem improvisadas enquanto moradores tentam salvar pertences
Em outra residência da mesma rua, um idoso de 88 anos reconstruía o portão derrubado pelo vento. O imóvel foi destelhado, sofreu infiltrações e parte da parede de uma casa vizinha caiu sobre sua residência.
Em diversos imóveis, colchões, sofás e móveis permanecem erguidos ou expostos ao sol na tentativa de secagem. Muitos moradores ainda não sabem se conseguirão recuperar geladeiras, televisores e outros equipamentos atingidos pela água.
Há famílias que receberam lonas e algumas telhas, mas estimam precisar de mais de uma centena de peças para recompor totalmente a cobertura antes da chegada de novas áreas de instabilidade.
Prejuízo de até R$ 200 mil atinge comércio local
Além das residências, estabelecimentos comerciais sofreram destruição praticamente completa. Na Rua Paraguassú, uma loja de artigos de praia e a casa ao lado perderam totalmente os telhados.
O proprietário calcula prejuízo próximo de R$ 200 mil entre estrutura, mercadorias e equipamentos. Parte do estoque poderá ser aproveitada, mas a expectativa é de que o estabelecimento não consiga reabrir a tempo da próxima temporada de verão.
Mais de 140 imóveis foram atingidos em Xangri-Lá
Segundo a Defesa Civil de Xangri-Lá, o município contabiliza pelo menos 140 residências danificadas, incluindo imóveis de moradores e veranistas.
Até o momento, foram distribuídos mais de 1,5 mil metros quadrados de lonas e centenas de telhas para atendimento emergencial. As famílias desalojadas permanecem hospedadas com parentes, e nenhuma precisou ser encaminhada para abrigo público.
Capão da Canoa ainda espera mil telhas para atender moradores
Em Capão da Canoa, o principal problema agora é a falta de materiais para reconstrução. A prefeitura realizou a compra de 1.000 telhas, mas a entrega ainda depende da chegada do fornecedor.
Enquanto isso, a Defesa Civil distribui lonas e orienta os moradores a procurarem a sede do órgão para realizar cadastro e retirar o material disponível.
Muitas famílias perderam móveis, colchões e roupeiros após a água invadir os cômodos destelhados. Em alguns casos, os moradores precisaram deixar as casas e se abrigar temporariamente com familiares.
Escolas tiveram laboratórios alagados e aulas suspensas
Os danos também atingiram a rede estadual de ensino. O Instituto Estadual Riachuelo sofreu destelhamentos em vários prédios, queda de árvores e alagamento de laboratórios.
Equipamentos como computadores, projetores e impressoras foram atingidos pela água e passarão por avaliação técnica. Parte das aulas foi suspensa e o retorno ocorrerá de forma escalonada, já que alguns prédios seguem interditados por segurança.
A escola também deverá permanecer cerca de duas semanas sem acesso à internet devido aos danos na infraestrutura.
Postes inclinados e falta de energia continuam afetando bairros
Mesmo após o fim da chuva, bairros de Capão da Canoa ainda enfrentam interrupções no fornecimento de energia elétrica. Em algumas ruas, postes permanecem inclinados ou suspensos sobre a fiação, mantendo vias parcialmente bloqueadas.
No bairro Parque Antártica, fios energizados permaneceram caídos na via até o desligamento da rede, situação que resultou inclusive na morte de diversos sapos por eletrocussão e aumentou o risco para moradores.
O que se sabe sobre o temporal
- Mais de 140 residências foram atingidas em Xangri-Lá.
- Capão da Canoa registra pelo menos 50 destelhamentos.
- Não houve registro de mortes ou feridos graves.
- Famílias desalojadas estão abrigadas com parentes.
- Prefeituras distribuem lonas enquanto aguardam novas remessas de telhas.
- Escolas estaduais tiveram destelhamentos, alagamentos e suspensão parcial das aulas.
- Postes danificados e falta de energia ainda afetam bairros de Capão da Canoa.
Reconstrução continua antes de nova mudança no tempo
Com o retorno do tempo firme, moradores concentram esforços para cobrir casas, retirar entulhos e recuperar móveis e eletrodomésticos. A prioridade das Defesas Civis segue sendo atender famílias com imóveis destelhados antes da chegada de novas chuvas previstas para os próximos dias no Rio Grande do Sul.

















