Reviravolta em investigação sobre tombamento com morte na Freeway

Investigação

Acidente na Freeway: Polícia Civil confirma que laudo pericial descartou falha mecânica no ônibus que tombou em Glorinha, deixando uma passageira morta e 11 feridos.

Laudo do IGP muda os rumos da investigação sobre o acidente na Freeway

A investigação sobre o grave tombamento de um ônibus na Freeway (BR-290), ocorrido em 6 de junho, entrou em sua fase decisiva. A Polícia Civil informou na segunda-feira (22) que o laudo elaborado pelo Instituto-Geral de Perícias (IGP) eliminou a hipótese de falha mecânica como causa do acidente registrado no km 42 da rodovia, em Glorinha.

A conclusão representa uma mudança significativa nos rumos do inquérito, já que a suspeita de defeito mecânico havia sido apresentada inicialmente pelo motorista do coletivo.

O ônibus da empresa Expresso Nordeste fazia a linha entre Curitiba (PR) e Porto Alegre (RS) quando saiu da pista e tombou às margens da rodovia.

Sono ao volante passa a ser principal hipótese

De acordo com o delegado Alexandre Fleck, responsável pela investigação, os elementos reunidos até o momento apontam para a possibilidade de que o motorista tenha adormecido enquanto conduzia o veículo.

A linha investigativa ganhou força após a análise conjunta dos laudos periciais, depoimentos de testemunhas, informações do tacógrafo e do relatório produzido pela Polícia Rodoviária Federal (PRF).

Segundo o delegado, diversos fatores convergem para essa hipótese.

O que levou os investigadores a suspeitarem de sono ao volante?

  • Ausência de evidências de falha mecânica no veículo;
  • Tacógrafo sem registro de redução de velocidade antes do impacto;
  • Relatos de passageiros indicando falta de reação do motorista;
  • Depoimentos colhidos;
  • Laudo da PRF.

Uma das testemunhas mais relevantes para a investigação ocupava a poltrona número 1, localizada na parte frontal do ônibus, com visão direta da estrada.

Segundo seu relato, o veículo começou a deslocar-se lentamente em direção ao guard-rail sem que houvesse qualquer tentativa aparente de correção de trajetória.

Um dos relatos destaca que quando o ônibus caiu, o motorista saiu dizendo: “Meu Deus o que aconteceu”. Então, são indícios bem fortes no sentido de ele ter dormido — explica o delegado.

Tacógrafo registrou velocidade constante de 90 km/h

Outro elemento considerado decisivo pelos investigadores é a análise do tacógrafo.

Os registros apontam que o ônibus trafegava há um longo período a aproximadamente 90 km/h, sem alterações significativas.

Conforme a investigação, o veículo encontrava-se utilizando o sistema de piloto automático no momento do acidente.

Os dados analisados indicam que esse recurso permaneceu ativado até o instante da saída de pista.

Como ocorreu o tombamento na BR-290

O acidente aconteceu por volta das 22h20, no sentido Litoral-Capital da Freeway.

Segundo a Polícia Rodoviária Federal, o ônibus saiu da faixa de rolamento, percorreu aproximadamente 100 metros junto à defensa metálica e acabou despencando em um barranco às margens da rodovia.

Motorista pode responder por homicídio culposo

A Polícia Civil ainda não definiu a data de conclusão do inquérito.

Entretanto, caso a hipótese de sono ao volante seja confirmada de forma definitiva, o motorista poderá ser indiciado por homicídio culposo, quando não há intenção de matar.

Logo após o acidente, o condutor foi submetido ao teste do bafômetro.

O exame apresentou resultado negativo para ingestão de álcool.

Quem foi a vítima fatal do acidente

Vítima
Arquivo pessoal/Divulgação

A única morte confirmada no acidente foi a de Cleuci Isabel Melo Brum, de 69 anos.

A passageira não resistiu aos ferimentos provocados pelo tombamento.

Outras onze pessoas ficaram feridas em diferentes graus de gravidade.

Duas vítimas continuam hospitalizadas

Apesar de mais de duas semanas terem se passado desde o acidente, duas passageiras seguem internadas em Porto Alegre.

As mulheres, de 43 e 51 anos, permanecem sob acompanhamento médico no Hospital Cristo Redentor.

Uma delas já foi transferida para a enfermaria após apresentar evolução clínica.

A outra continua internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mantendo quadro considerado grave, porém estável.

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Amanda da Silveira Ferrari é estudante de Jornalismo pela UNISINOS, com experiência em produção de conteúdo, jornalismo de dados e comunicação pública.

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