Rio Grande do Sul tem vantagem estratégica para desenvolver energia eólica offshore

O Rio Grande do Sul pode assumir uma posição de destaque na corrida pela geração de energia eólica offshore no Brasil. A combinação entre uma rede elétrica com capacidade de…
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O Rio Grande do Sul pode assumir uma posição de destaque na corrida pela geração de energia eólica offshore no Brasil.

A combinação entre uma rede elétrica com capacidade de conexão e a estrutura já consolidada do Porto do Rio Grande coloca o Estado em vantagem para receber investimentos nesse novo segmento da matriz energética.

Essa é a avaliação dos responsáveis pelos estudos ambientais do Aura Sul Wind, projeto-piloto liderado pela empresa japonesa JB Energy.

A iniciativa prevê a instalação de uma plataforma flutuante para geração de energia eólica a aproximadamente 60 quilômetros da costa de Rio Grande, no Litoral Sul.

Conexão elétrica é apontada como diferencial competitivo

Segundo a Arvut, empresa gaúcha responsável pelos estudos ambientais do empreendimento, um dos principais fatores que favorecem o Rio Grande do Sul é a infraestrutura disponível para escoar a energia produzida.

Conforme o CEO da empresa, Kayo Soares, outros estados brasileiros enfrentam limitações na capacidade de conexão ao sistema elétrico nacional, o que pode direcionar novos investimentos para território gaúcho.

Apesar disso, ele ressalta que essa capacidade deverá ser ampliada ao longo dos próximos anos para acompanhar o crescimento do setor.

Porto do Rio Grande pode impulsionar nova cadeia econômica

Outro fator considerado decisivo é a infraestrutura do Porto do Rio Grande.

De acordo com o coordenador do projeto Aura Sul Wind pela Arvut, João Pedro Krahe, o complexo portuário já reúne condições para atender parte significativa da logística necessária à implantação de parques eólicos marítimos.

A instalação de turbinas offshore exige embarcações especializadas, montagem de grandes estruturas, armazenamento de equipamentos e apoio operacional permanente, atividades capazes de movimentar diversos segmentos da economia regional.

Além da geração de energia, o setor pode estimular novos investimentos em serviços portuários, indústria naval, manutenção, transporte marítimo e qualificação profissional.

Projeto ainda passa pela fase inicial de licenciamento

O Aura Sul Wind encontra-se na etapa de obtenção da Licença Prévia junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Nesta fase são realizados estudos para avaliar a viabilidade ambiental do empreendimento antes de qualquer autorização para construção.

Os levantamentos incluem análises sobre fauna marinha, flora, qualidade da água, atmosfera, solo e aspectos socioeconômicos, especialmente relacionados à pesca e às comunidades costeiras.

Após essa etapa, os dados são integrados para identificar impactos ambientais, definir medidas mitigadoras e estruturar um plano completo de gestão ambiental.

Modelo flutuante reduz impactos ambientais

Uma das principais diferenças do Aura Sul Wind em relação a outros projetos é a utilização de uma plataforma flutuante.

Nesse modelo, as turbinas não precisam ser fixadas diretamente no fundo do mar, permitindo instalação em águas mais profundas e mais distantes da costa.

Segundo os responsáveis pelos estudos ambientais, essa tecnologia reduz a interação com atividades pesqueiras, comunidades tradicionais e parte dos ecossistemas costeiros, além de ampliar as possibilidades de aproveitamento dos ventos em alto-mar.

Conhecimento científico deve orientar futuros parques eólicos

Os dados produzidos durante o licenciamento ambiental deverão servir como base para futuras iniciativas de geração eólica offshore no Brasil.

Além da participação de universidades e instituições de pesquisa, o projeto prevê intercâmbio técnico entre Brasil e Japão, reunindo a experiência brasileira em operações marítimas ligadas ao setor de óleo e gás com a tradição japonesa em engenharia naval.

O objetivo é produzir conhecimento científico capaz de orientar futuros parques comerciais compostos por dezenas de aerogeradores.

Zoneamento ainda é considerado um desafio

Especialistas envolvidos no projeto defendem que o avanço da energia eólica offshore no país depende da criação de um zoneamento ecológico e econômico das áreas marítimas.

A proposta é identificar previamente regiões ambientalmente adequadas antes da concessão de áreas para empreendimentos privados, reduzindo conflitos ambientais e aumentando a segurança jurídica dos investimentos.

Segundo a equipe técnica, a área escolhida para o Aura Sul Wind está fora da poligonal da unidade de conservação do Albardão, considerada importante para a reprodução de diversas espécies marinhas.

Construção pode começar entre 2029 e 2030

Ainda não existe prazo para conclusão da Licença Prévia.

A expectativa da JB Energy é iniciar a fase de construção entre 2029 e 2030, desde que todas as etapas do licenciamento ambiental sejam concluídas e as autorizações necessárias sejam obtidas.

Se confirmada, a iniciativa poderá representar um marco para a expansão da energia eólica offshore no Brasil e consolidar o Rio Grande do Sul como um dos principais polos nacionais dessa nova indústria.

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Jornalista com formação pela UNISINOS (2010) e fundador do Litoralmania, o portal de notícias mais antigo em atividade no interior do RS. Atua desde 2002 na gestão completa do veículo, com ampla experiência em jornalismo digital, produção de conteúdo, projetos e relacionamento com o público.

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