Rua em frente ao Foro de Tramandaí receberá nome de juíza que atuou por mais de 20 anos no município

Rua do Foro de Tramandaí será batizada em homenagem à juíza Laura Ullmann López Tramandaí vai eternizar o nome da juíza Laura Ullmann López no trecho da rua onde está…
Tramandaí

Rua do Foro de Tramandaí será batizada em homenagem à juíza Laura Ullmann López

Tramandaí vai eternizar o nome da juíza Laura Ullmann López no trecho da rua onde está localizado o Foro da cidade.

A homenagem foi oficializada na quarta-feira (12 de agosto de 2026), com a publicação da Lei Ordinária nº 4.974, após a Câmara de Vereadores aprovar por unanimidade o Projeto de Lei nº 77/2026.

O trecho da antiga Rua Vergueiros, entre a Rua Tristão Monteiro e a Avenida Protásio Alves, na Zona Nova, passará a levar o nome da magistrada.

A mudança tem um significado especial para a comunidade jurídica local.

Laura atuou por mais de duas décadas na Comarca de Tramandaí e ficou conhecida principalmente pelo trabalho de aproximação entre Judiciário, municípios, cartórios e moradores em processos de regularização fundiária.

A solenidade de descerramento da placa está prevista para 9 de outubro, na véspera de completar um ano da morte da magistrada, ocorrida em 10 de outubro de 2025, aos 56 anos.

Qual trecho da rua terá o nome de Laura Ullmann López?

A homenagem não altera toda a extensão da antiga Rua Vergueiros. A mudança será feita no trecho localizado entre a Rua Tristão Monteiro e a Avenida Protásio Alves, no bairro Zona Nova.

É justamente nessa área que está o Foro de Tramandaí, local diretamente ligado à trajetória profissional da magistrada.

A escolha do endereço foi proposital. Para colegas que participaram da homenagem, o Foro representava uma espécie de segunda casa para Laura, que construiu grande parte de sua carreira na Comarca.

Por que Tramandaí decidiu homenagear a juíza?

A proposta nasceu da iniciativa da juíza Milene Koerig Gessinger, da 3ª Vara Cível de Tramandaí, e da advogada Maria Aparecida Bergamo Finger, colega e amiga de Laura.

O objetivo foi preservar publicamente a memória de uma magistrada que teve atuação considerada marcante na cidade, especialmente pela forma como conduzia projetos relacionados à regularização de imóveis e ao acesso à Justiça.

Segundo a juíza Milene, Laura permaneceu trabalhando e atendendo às demandas da Comarca até poucos dias antes de morrer. A colega destacou a dedicação profissional e a relação construída com a comunidade.

Homenagem exigiu mudança na legislação municipal

A homenagem também envolveu uma alteração nas regras municipais para denominação de logradouros.

Segundo a advogada Maria Finger, a legislação previa que ruas e outros espaços públicos só poderiam receber o nome de pessoas falecidas havia pelo menos dois anos, com exceções específicas relacionadas a autoridades dos Poderes Executivo e Legislativo.

Para viabilizar a homenagem a Laura antes desse prazo, foi necessária uma alteração na Lei Orgânica de Tramandaí. A mudança incluiu juízes de Direito e promotores de Justiça entre as possibilidades previstas na legislação.

A proposta também contou com mobilização da comunidade. De acordo com Maria Finger, foi realizado um abaixo-assinado envolvendo os municípios abrangidos pela Comarca de Tramandaí, com participação de moradores, prefeituras, câmaras municipais, tabelionatos, comércio e outras instituições.

Quem foi Laura Ullmann López?

Tramandaí

Natural de Ipiranga, em Santa Catarina, Laura Ullmann López ingressou na magistratura gaúcha em 1998, como juíza de Direito substituta.

Seu primeiro posto foi na 1ª Vara Judicial de Caçapava do Sul. Em 2004, a pedido, foi removida para a 1ª Vara Cível de Tramandaí.

Em 2011, foi promovida por antiguidade e permaneceu na mesma unidade, onde desenvolveu boa parte de sua trajetória profissional até seu falecimento, em outubro de 2025.

Ao longo dos anos, também exerceu a direção do Foro de Tramandaí em diferentes períodos, além da atividade jurisdicional.

Projeto Terra foi um dos legados de Laura na regularização fundiária

Entre as iniciativas que marcaram a carreira da magistrada está o Projeto Terra – Você é Dono do Seu Imóvel?, voltado à regularização fundiária urbana.

A experiência começou na Comarca de Tramandaí e teve como um dos principais exemplos a comunidade da Portelinha, no bairro Jardim Atlântico.

Na localidade, foram regularizados 1.053 lotes urbanos, beneficiando aproximadamente 3 mil pessoas. O trabalho envolveu articulação entre o Judiciário, a Prefeitura, registros de imóveis e outras instituições.

Projeto criado em Tramandaí ganhou dimensão estadual

A experiência desenvolvida na Comarca não ficou restrita ao município.

O modelo de trabalho conduzido por Laura serviu de inspiração para a criação do Projeto Terra no âmbito do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, ampliando a proposta de regularização fundiária para outros municípios gaúchos.

O programa estadual foi estruturado em sintonia com iniciativas nacionais de regularização fundiária e com a atuação do Conselho Nacional de Justiça na área.

Em 2025, a iniciativa recebeu menção honrosa no Prêmio Conciliar é Legal, do CNJ, reconhecimento relacionado ao uso da conciliação e à promoção do acesso à Justiça.

Mais de 1,1 mil títulos foram entregues na Portelinha em 2026

O legado do trabalho desenvolvido por Laura continuou produzindo resultados depois de sua morte.

Em 28 de maio de 2026, mais de 1,1 mil títulos de imóveis foram entregues a moradores da Portelinha, em Tramandaí, em uma ação realizada pelo Poder Judiciário, pela Prefeitura e pelo Registro de Imóveis.

Um dos beneficiados foi Ailton da Cruz Marques, morador antigo da comunidade. Ele relatou ter acompanhado junto de Laura parte da caminhada que levou à regularização.

A atuação da magistrada não ficou limitada a Tramandaí.

Em Imbé, por exemplo, Laura teve participação importante em processos de regularização fundiária, incluindo o Balneário Riviera e imóveis de diferentes bairros do município.

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Amanda da Silveira Ferrari é estudante de Jornalismo pela UNISINOS, com experiência em produção de conteúdo, jornalismo de dados e comunicação pública.

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