São José do Norte revive batalha histórica de 1840 em cavalgada que preserva a memória da Revolução Farroupilha
São José do Norte voltou a reviver, na madrugada de quinta-feira (16), um dos episódios mais marcantes da Revolução Farroupilha. Cavalarianos percorreram o Centro Histórico exatamente no horário em que ocorreu o ataque surpresa liderado por Bento Gonçalves e Giuseppe Garibaldi, em 16 de julho de 1840.
Promovida pelo historiador Fernando Costamilan, a cavalgada chegou à sua 27ª edição.
Por que a Batalha de São José do Norte foi tão importante?
O confronto ocorreu em um momento decisivo da Revolução Farroupilha. Após perder a República Juliana, em Laguna (SC), os farroupilhas buscavam uma nova saída para o mar.
O objetivo era conquistar o porto localizado em São José do Norte, ponto estratégico para alcançar Rio Grande, garantir rotas comerciais e fortalecer politicamente a República Rio-Grandense.
Para chegar até a então vila, cerca de 1,1 mil soldados percorreram uma longa marcha de aproximadamente oito dias enfrentando frio, chuva, escassez de alimentos e terrenos difíceis.
Segundo Fernando Costamilan, a escolha do horário da cavalgada segue fielmente os registros históricos.
“O combate ocorreu em um ataque surpresa, à uma e meia da madrugada. Por isso cavalgamos exatamente nesse horário. Relembramos o fato histórico no momento em que ele aconteceu, agora 186 anos depois”, explica.
Como aconteceu o confronto de 1840?
Na época, São José do Norte possuía pouco mais de 400 habitantes, mas tinha relevância militar e econômica.
O porto era protegido por aproximadamente 600 militares imperiais, baterias de canhões e embarcações de guerra que controlavam a entrada da Lagoa dos Patos.
Os farroupilhas conseguiram dominar parte da vila nas primeiras horas da ofensiva. Entretanto, reforços enviados de Rio Grande atravessaram a lagoa e alteraram completamente o rumo da batalha.
Diante da forte resistência das tropas imperiais, Bento Gonçalves ordenou a retirada.
Segundo registros históricos, o comandante farroupilha recusou a proposta de incendiar a vila, apresentada por Domingos Crescêncio, para evitar que moradores civis fossem atingidos.
O saldo foi superior a 300 combatentes mortos, tornando o episódio um dos confrontos mais violentos de toda a Revolução Farroupilha.
Origem do título “Mui Heróica Vila”
A resistência das forças imperiais levou o então imperador Dom Pedro II a conceder, em 1841, o título de Mui Heróica Vila a São José do Norte.
A denominação permanece presente na identidade histórica do município e simboliza a importância estratégica que a cidade exerceu durante o conflito.
Cavalgada preserva a memória há quase três décadas
Criada em 1998, a cavalgada foi interrompida apenas durante a pandemia de covid-19.
Além da marcha noturna, a programação contou com salvas de canhão, homenagem aos mortos da batalha e cerimônia junto ao busto de Giuseppe Garibaldi, localizado na Praça da Matriz.
Segundo Costamilan, a iniciativa surgiu da preocupação com o esquecimento de um dos principais episódios da história gaúcha.
“Não queremos acordar São José do Norte do seu sono. Queremos despertar o Rio Grande do Sul para sua história, sua cultura e um patrimônio que pode impulsionar o turismo e a economia criativa”, afirma.
Evento busca reconhecimento como patrimônio cultural
Um projeto encaminhado à Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul pretende reconhecer oficialmente a cavalgada como patrimônio cultural do Estado.
Se aprovado, o reconhecimento poderá facilitar a captação de recursos para ampliar a estrutura do evento, incentivar pesquisas históricas e fortalecer o turismo cultural em São José do Norte.
















