Sarampo volta a preocupar e Rio Grande do Sul reforça alerta para evitar reintrodução
O Rio Grande do Sul reforçou a vigilância contra o sarampo diante do aumento de casos registrados em outros Estados brasileiros e em diferentes países.
Até o momento, o Estado não registra casos da doença, mas o cenário epidemiológico nacional e internacional aumenta o risco de reintrodução do vírus no território gaúcho.
O alerta foi emitido pelo Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs), que orienta os serviços públicos e privados de saúde a manterem as equipes preparadas para identificar rapidamente casos suspeitos, realizar a notificação imediata e adotar medidas para impedir a transmissão.
Por que o Rio Grande do Sul reforçou o alerta?
A preocupação está relacionada à circulação do vírus fora do Estado. Desde o início de junho, o Brasil confirmou casos de sarampo importados e relacionados à importação, com um surto ativo em São Paulo.
Segundo as informações divulgadas no alerta, eram 21 casos confirmados nos municípios de Guarulhos, São Bernardo do Campo e São Paulo. Também foram registrados anteriormente casos no Rio de Janeiro e em São Paulo, cujos surtos já foram encerrados.
Para o Rio Grande do Sul, o risco está principalmente na possibilidade de uma pessoa infectada em uma região onde o vírus circula chegar ao Estado e transmitir a doença para pessoas que não estejam protegidas pela vacinação.
Quando foram registrados os últimos casos no RS?
De acordo com o Cevs, os últimos casos confirmados de sarampo no Rio Grande do Sul ocorreram em 2024 e 2025.
Os casos foram considerados importados. Os pacientes tinham histórico de viagem para a Ásia e os Estados Unidos e, conforme a vigilância estadual, não houve registro de transmissão para outras pessoas no Rio Grande do Sul.
Como está a situação do sarampo nas Américas?
O alerta também considera o cenário internacional.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que, até julho deste ano, houve aumento de 12% no número de casos confirmados de sarampo no mundo em comparação com o mesmo período de 2025.
Nas Américas, foram registrados mais de 47 mil casos da doença em 17 países, além de 44 mortes.
Segundo os dados apresentados no alerta, esse é o maior número de casos registrados na região nos últimos 22 anos.
Quatro países concentram 95% dos registros:
- Guatemala: 30,3 mil casos e 26 óbitos;
- México: 12,2 mil casos e 17 óbitos;
- Estados Unidos: 2,2 mil casos;
- Peru: 1,2 mil casos.
O Brasil não tinha eliminado o sarampo?
O Brasil foi certificado pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), em novembro de 2024, como país livre da circulação endêmica do vírus do sarampo.
Isso não significa, porém, que não possam ocorrer novos casos no país. Pessoas infectadas em regiões onde existe circulação do vírus podem viajar para o Brasil e provocar casos importados.
Por isso, o aumento de casos em diferentes países e a ocorrência de surtos em Estados brasileiros fazem com que a vigilância epidemiológica permaneça necessária.
Quais são os sintomas?
O Cevs orienta os serviços de saúde a considerarem como suspeitos os pacientes que apresentem febre e exantema, que são as manchas vermelhas na pele, acompanhados de um ou mais sintomas e que tenham viajado, nos últimos 30 dias, para locais onde há circulação do vírus.
Entre os sinais que devem ser observados estão:
- tosse;
- coriza;
- conjuntivite;
- aumento dos gânglios linfáticos.
O que acontece quando existe suspeita
A notificação de casos suspeitos de sarampo e rubéola é compulsória. Segundo o Cevs, a comunicação deve ser feita à vigilância em saúde municipal em até 24 horas.
A partir da notificação, são desencadeadas medidas para identificar a origem da infecção e evitar que outras pessoas sejam contaminadas.
Entre as ações previstas estão:
- investigação epidemiológica;
- busca ativa de casos;
- identificação de pessoas que tiveram contato com o paciente;
- vacinação seletiva dos contatos expostos.
Por quanto tempo uma pessoa com sarampo pode transmitir o vírus?
De acordo com a orientação do Cevs, os casos suspeitos devem permanecer isolados durante o período de transmissibilidade.
Esse período compreende os seis dias anteriores e os quatro dias posteriores ao aparecimento das manchas vermelhas na pele.
Também é recomendado o uso imediato de máscara cirúrgica ao ingressar em um serviço de saúde, como forma de reduzir o risco de transmissão para outras pessoas.
Vacinação é a principal forma de prevenção
A Secretaria da Saúde reforça que a vacinação é a medida mais eficaz para prevenir o sarampo.
A doença pode provocar complicações graves, internações e até mesmo levar à morte. Por isso, manter a vacinação em dia é uma das principais formas de impedir que o vírus volte a circular no Estado.
A vacina utilizada para a proteção contra o sarampo é a tríplice viral, que também protege contra a caxumba e a rubéola.
Quem deve receber a vacina?
Conforme as orientações apresentadas pela Secretaria da Saúde, o esquema vacinal varia de acordo com a idade.
- Dos 12 meses aos 29 anos: duas doses da vacina tríplice viral;
- Dos 30 aos 59 anos: uma dose da vacina tríplice viral para quem não possui comprovação vacinal.
A Secretaria da Saúde orienta a população a conferir a carteira de vacinação e procurar a unidade de saúde mais próxima em caso de dúvida ou necessidade de atualização do esquema.

















