Seu intestino não deveria controlar a sua vida – Nutricionista Gabriela C Souza

Ficar dias sem ir ao banheiro. Sentir dor para evacuar. Ter a sensação de que “não saiu tudo”. Começar o dia com a barriga normal e terminar inchada, cheia de…
Nutricionista Gabriela C Souza
Foto: Nutricionista Gabriela C Souza

Ficar dias sem ir ao banheiro. Sentir dor para evacuar. Ter a sensação de que “não saiu tudo”. Começar o dia com a barriga normal e terminar inchada, cheia de gases e desconforto.

Muita gente convive com isso há anos e acha que é normal. Mas não é.

Esses sintomas podem indicar a Síndrome do Intestino Irritável (SII), uma condição intestinal que afeta não só a digestão, mas também a rotina, a alimentação e até a vida social.

Tem gente que sai de casa já pensando onde fica o banheiro mais próximo.

Outras carregam remédio para gases na bolsa “por garantia”.

E existe também quem evita comer fora por medo da dor abdominal aparecer depois.

O problema é que os sintomas costumam ser normalizados ou tratados como exagero.

Mas o intestino dá sinais claros quando algo não vai bem.

Um dos mais comuns é a alteração no formato das fezes, que podem ficar muito ressecadas ou muito moles. A Escala de Bristol, usada na prática clínica, ajuda justamente a identificar esses padrões.

E quando a pessoa tem SII, a alimentação tem um papel extremamente importante no controle dos sintomas.

Na prática, muitas pessoas melhoram quando reduzem alimentos que aumentam a fermentação intestinal.

Vegetais crus, por exemplo, podem piorar gases e distensão abdominal em algumas fases. Por isso, versões cozidas costumam ser mais bem toleradas.

Outro ponto importante são os polióis, adoçantes presentes em muitos produtos “zero açúcar”.

Xilitol, sorbitol e manitol são alguns exemplos. Eles aparecem em barras de proteína, chocolates diet e até suplementos proteicos, e podem funcionar como gatilho intestinal para algumas pessoas.

Além disso, refeições muito volumosas também podem aumentar o desconforto. Em muitos casos, comer menores quantidades ao longo do dia facilita a digestão e reduz sintomas.

Mas existe um detalhe importante: não existe uma dieta universal para quem tem SII.

O alimento que faz mal para uma pessoa pode não causar nada em outra.

Por isso, o tratamento precisa ser individualizado. O objetivo não é criar medo da comida, e sim identificar gatilhos, reduzir sintomas e devolver qualidade de vida.

Porque viver com dor, inchaço e medo constante de passar mal não deveria ser considerado normal.

Gabriela C Souza – CRN – 21735D

Email: nutri.gabrielacsouza@gmail.com

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