Levantamento do Simers em 10 municípios do Litoral do RS revelou falta de medicamentos, atrasos salariais e falhas de segurança em unidades de saúde entre fevereiro e abril de 2026.
Simers faz raio-x da Atenção Primária no Litoral e expõe fragilidades
O avanço da terceirização na saúde pública já produz reflexos diretos no atendimento à população do Litoral Norte e Sul do Rio Grande do Sul. O Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) iniciou um levantamento regional para mapear as condições de trabalho e a estrutura dos estabelecimentos de Atenção Primária à Saúde (APS).
A primeira região analisada foi justamente o Litoral, onde 10 municípios receberam visitas entre fevereiro e abril de 2026. A ação integra um diagnóstico estadual que ainda passará por regiões como Sul, Fronteira e Central.
Falta de medicamentos e equipamentos lidera reclamações
Entre os dados mais alarmantes, 48,3% dos profissionais entrevistados relataram falta de medicamentos básicos, incluindo Dipirona e Sulfato Ferroso, insumos considerados essenciais na rotina da atenção básica.
Além disso, 36% das respostas apontaram ausência ou insuficiência de equipamentos médicos, comprometendo diagnósticos e atendimentos imediatos.
Exames e encaminhamentos também enfrentam gargalos
Outro ponto crítico identificado foi o acesso a exames complementares. Segundo o levantamento, 38,2% dos médicos afirmam enfrentar dificuldades para solicitar exames, especialmente de imagem.
Na prática, isso amplia o tempo de diagnóstico e pode agravar quadros clínicos que dependem de rapidez na investigação.
Segurança preocupa: mais da metade das unidades não têm câmeras
O estudo revelou que 51,7% dos estabelecimentos visitados não possuem câmeras de monitoramento.
A ausência de sistemas de segurança preocupa especialmente em unidades que atendem pacientes em situação de vulnerabilidade social, onde há registros frequentes de conflitos e episódios de risco.
Terceirização e vínculos precários elevam instabilidade
O levantamento do Simers mostra que a terceirização já domina boa parte da força de trabalho médica no Litoral.
Hoje, 46,1% dos profissionais atuam como PJ/Cotistas, modelo frequentemente criticado por gerar menos estabilidade.
Distribuição dos vínculos trabalhistas:
- 46,1% — PJ/Cotistas
- 12,4% — Estatutários
- 12,4% — CLT
- 12,4% — Programa Mais Médicos
- 5,4% — Contratos temporários
- 11,2% — Não responderam
Além disso, 28,1% dos profissionais relataram atrasos nos pagamentos.
Segundo o diretor do Simers e coordenador do Núcleo de Atenção Primária e Medicina de Família, Alexandre Silveira, esse cenário gera insegurança e afeta diretamente o serviço prestado.
“Há uma expectativa por maior estabilidade, com defesa de concursos públicos, padronização da carga horária e garantia de relações de trabalho mais seguras e previsíveis”, afirmou.
Rotatividade prejudica acompanhamento contínuo dos pacientes
Para o Simers, a terceirização fragiliza um dos pilares da Atenção Primária: a longitudinalidade.
Isso significa que o paciente perde a continuidade do acompanhamento com o mesmo médico ao longo do tempo, comprometendo histórico clínico, vínculo e prevenção.
Casos recentes em Porto Alegre e Canoas reforçam esse alerta. Na Capital, duas empresas que administravam mais de 60 unidades foram extintas. Em Canoas, houve ameaça de fechamento da Fundação Municipal de Saúde em 2025.
Atendimento sobrecarregado e pediatria parcial
O volume médio diário de consultas por médico varia entre 20 e 24 pacientes, índice considerado alto para a complexidade da Atenção Primária.
Na pediatria, o levantamento mostra presença em 33 unidades (62,2%), ao menos uma vez por semana, o que ainda revela cobertura parcial.
Direto ao ponto
- 48,3% relatam falta de medicamentos básicos
- 36% apontam falta de equipamentos médicos
- 51,7% das unidades não têm câmeras de segurança
- 28,1% registram atrasos salariais
- 46,1% dos médicos atuam via PJ/Cotistas





















