Tatuador investigado por estupro contra mulher em Torres é alvo de novas denúncias

Novas denúncias contra tatuador preso por estupro chegam a quatro cidades Um tatuador de 47 anos, preso em 30 de julho em Balneário Camboriú (SC) por uma investigação de estupro…
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Foto: imagem meramente ilustrativa

Novas denúncias contra tatuador preso por estupro chegam a quatro cidades

Um tatuador de 47 anos, preso em 30 de julho em Balneário Camboriú (SC) por uma investigação de estupro relacionada a uma mulher de Torres, passou a ser alvo de novos relatos formalizados na Polícia Civil.

Desde a prisão, cinco mulheres procuraram as autoridades para relatar possíveis crimes em Torres, Bento Gonçalves, Porto Alegre e Novo Hamburgo. Os casos têm naturezas diferentes e ainda dependem de apuração individual.

Os novos registros ampliam a investigação que já vinha sendo acompanhada pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) há mais de um ano.

O órgão já havia apresentado três denúncias relacionadas a crimes supostamente praticados contra uma mesma mulher.

Quantas mulheres fizeram novas denúncias?

Segundo informações repassadas pela autoridade policial, foram formalizados cinco novos relatos após a prisão do investigado.

  • Torres: dois novos registros;
  • Bento Gonçalves: relatos de violência psicológica que deram origem a inquéritos;
  • Porto Alegre: um registro de estupro ainda em análise;
  • Novo Hamburgo: um relato de estupro referente a um episódio que teria ocorrido há 29 anos.

A existência de um registro policial ou de um inquérito não significa, por si só, que o crime tenha sido comprovado. Cada relato precisa ser analisado pela Polícia Civil, com coleta de depoimentos, documentos, eventuais provas e demais elementos necessários para esclarecer os fatos.

O que está sendo investigado em cada cidade?

Torres

Na cidade onde começou a investigação que levou à prisão, há dois novos registros. Um deles deu origem a um inquérito para apurar um possível crime sexual, ainda não confirmado pelas autoridades. O outro envolve uma denúncia de importunação sexual, também com investigação em andamento.

Bento Gonçalves

Na Serra Gaúcha, foram instaurados inquéritos a partir de relatos de violência psicológica. A investigação deverá esclarecer as circunstâncias dos episódios e verificar se há elementos que possam configurar crimes.

Porto Alegre

Na Capital, foi registrado um relato de estupro. O caso ainda estava sob análise da Polícia Civil e até então havia resultado na abertura de um inquérito.

Novo Hamburgo

O registro mais antigo envolve um estupro que teria ocorrido há 29 anos, quando o investigado morava em Novo Hamburgo.

Segundo a Polícia Civil, o fato está prescrito. Na prática, isso significa que o Estado perdeu o prazo legal para responsabilizar criminalmente alguém por aquele episódio específico. A prescrição, porém, não equivale a uma conclusão de que o relato seja falso; trata-se de uma questão jurídica relacionada ao prazo para persecução penal.

O que já era investigado antes das novas denúncias?

Antes da repercussão nas redes sociais e do surgimento dos novos registros, o MPRS já acompanhava o caso havia mais de um ano.

De acordo com informações divulgadas sobre a investigação, o homem já havia sido denunciado três vezes pelo Ministério Público por crimes supostamente cometidos contra uma mesma mulher. Entre os fatos investigados estão acusações de ameaça, perseguição, violência psicológica e descumprimento de medidas protetivas.

Segundo os autos mencionados na cobertura do caso, a vítima apresentou um relato considerado detalhado e coerente. Entre os episódios investigados está a suspeita de relação sexual sem consentimento, além de ameaças, agressões e gravação de imagens contra a vontade dela.

Por que outras mulheres procuraram a polícia depois da prisão?

O caso ganhou grande repercussão nas redes sociais depois que uma página foi criada com o objetivo de reunir relatos de mulheres que afirmavam ter tido experiências semelhantes com o investigado.

A mobilização partiu da irmã do acusado. Segundo relato publicado na imprensa, ela teria reconhecido padrões de comportamento do irmão ao ler nas redes sociais o relato de uma professora que manteve um relacionamento com ele em Torres.

A partir da exposição pública do caso, outras mulheres passaram a procurar as autoridades.

Quais antecedentes são atribuídos ao investigado?

Conforme informações da Polícia Civil, o homem possui registros de ocorrências desde 2014.

  • 3 ocorrências por lesão corporal;
  • 1 por vias de fato;
  • 3 por ameaça;
  • 2 por perseguição;
  • 2 por violência psicológica;
  • 1 por dano;
  • 4 por descumprimento de medidas protetivas.

O que diz a defesa do tatuador?

Antes da prisão, o investigado publicou uma manifestação nas redes sociais na qual negou parte das acusações e afirmou que apresentaria sua defesa perante as autoridades.

Na manifestação, ele afirmou que algumas informações divulgadas seriam distorcidas ou estariam fora de contexto. Também declarou que não estava foragido e que permanecia à disposição das autoridades. O investigado pediu ainda que familiares não fossem responsabilizados ou atacados em razão do caso.

O investigado é tratado como suspeito e deve ter preservado o direito de defesa e a presunção de inocência enquanto não houver decisão judicial definitiva.

Veja a nota na íntegra

“Depois de alguns dias de silêncio e profunda reflexão, decidi fazer este que será meu único pronunciamento sobre os acontecimentos recentes.

Os fatos que vieram a público são extremamente sérios e serão tratados com responsabilidade, respeito e compromisso com a verdade. Não transformarei esta situação em uma disputa nas redes sociais, nem farei acusações ou julgamentos por meio de manifestações públicas.

Reconheço que existem acontecimentos que precisam ser enfrentados com seriedade. Ao mesmo tempo, muitas informações que passaram a circular não correspondem à realidade, apresentam distorções ou foram retiradas de contexto. Tudo será esclarecido perante as autoridades competentes, com a apresentação das provas necessárias.

Esclareço também que não sou foragido da Justiça, não estou me ocultando e permaneço integralmente à disposição das autoridades.

Faço um pedido especial de respeito à minha família. Minha mãe, minha irmã, meus filhos — entre eles um menor de idade — e meus demais familiares não têm qualquer responsabilidade pelos fatos e, ainda assim, foram expostos a ataques e situações que lhes causaram sofrimento. Nenhuma busca por justiça deve atingir pessoas inocentes.

Ao longo da minha vida construí uma trajetória de trabalho, dedicação à minha profissão, amor pelos meus filhos, cuidado com minha família, amizades verdadeiras e uma relação muito especial com a música.

Como qualquer pessoa, cometi acertos e erros. Tenho consciência de que escolhas do passado devem ser encaradas com responsabilidade. Mas acredito que ninguém deve ser definido apenas pelos seus momentos mais difíceis, sem que toda a sua trajetória também seja considerada.

Agradeço profundamente o apoio, o carinho e a confiança que tenho recebido de familiares, amigos, clientes e de tantas pessoas que conhecem minha história.

Esta será minha única manifestação pública sobre o assunto. A partir de agora, exercerei meu direito de defesa exclusivamente pelos meios legais, com respeito a todos os envolvidos e confiança de que os fatos serão devidamente esclarecidos.”

Como denunciar um caso de violência contra a mulher em Torres?

Mulheres que tenham sido vítimas de violência podem buscar atendimento na rede de proteção do município. O Centro de Referência da Mulher Priscila Selau, em Torres, oferece orientação e apoio para situações de violência física, psicológica, moral, sexual, patrimonial e outras formas de violência.

Em caso de emergência ou risco imediato, a orientação da Prefeitura de Torres é acionar o 190. Também é possível procurar uma delegacia de polícia ou utilizar o 180, canal de atendimento à mulher.

Para denúncias de estupro, a Polícia Civil do RS orienta que a vítima procure presencialmente uma delegacia, já que esse tipo de ocorrência não pode ser registrado pela Delegacia Online da Mulher.

Em Torres, a Polícia Civil também mantém a Sala das Margaridas, espaço destinado ao acolhimento de mulheres vítimas de violência, com escuta e encaminhamento à rede de proteção.

Serviços em Torres

  • Centro de Referência da Mulher Priscila Selau: Travessa do Torrense, 87, Igra Sul;
  • Telefone: (51) 3626-9150, ramal 270;
  • WhatsApp: (51) 99456-1977;
  • Emergência: 190;
  • Central de Atendimento à Mulher: 180.

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Amanda da Silveira Ferrari é estudante de Jornalismo pela UNISINOS, com experiência em produção de conteúdo, jornalismo de dados e comunicação pública.

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