Chuva passa de 200 mm e 143 cidades já registram danos no Rio Grande do Sul
O temporal que atinge o Rio Grande do Sul já provocou danos em 143 municípios, deixou 51 pessoas desabrigadas, 155 desalojadas e uma ferida, segundo o balanço atualizado pela Defesa Civil na manhã desta quarta-feira, 22 de julho.
Em meio às chuvas intensas e aos vendavais registrados em diferentes regiões, o acumulado chegou a 200,8 milímetros em 24 horas em Paraí.
A dimensão territorial do evento aparece na relação de cidades que comunicaram danos: há municípios da Região Metropolitana, Serra, Litoral, Norte, Noroeste, Centro, Fronteira Oeste e Sul do Estado.
O boletim reúne dados do Centro de Monitoramento da Defesa Civil (CMDEC) e ocorrências acompanhadas pelo Centro de Operações (Codec), dentro do Aviso Hidrometeorológico 10/2026.
143 municípios do RS já reportaram danos
A Defesa Civil contabiliza 143 municípios afetados. Cada cidade é considerada apenas uma vez nesse total, mesmo que tenha registrado mais de um tipo de desastre ou ocorrências em datas diferentes.
Entre os municípios relacionados estão Porto Alegre, Santa Maria, Passo Fundo, Caxias do Sul, Novo Hamburgo, Rio Grande, Bagé, Uruguaiana, Alegrete, Erechim, Santa Rosa, Ijuí, Lajeado, Gramado, São Borja e Vacaria.
O impacto também alcança o Litoral Norte. Caraá, Cidreira, Maquiné, Terra de Areia, Tramandaí, Três Forquilhas e Xangri-Lá aparecem entre as cidades que reportaram danos.
A relação estadual mostra que o episódio não ficou concentrado em uma única área do Rio Grande do Sul, embora os volumes de chuva e a intensidade dos ventos tenham variado consideravelmente entre os municípios monitorados.
Onde mais choveu no Rio Grande do Sul?
Paraí registrou 200,8 mm de chuva em 24 horas, o maior acumulado apresentado no boletim da manhã.
Outros municípios também se aproximaram ou ultrapassaram volumes que chamam atenção pela quantidade concentrada em apenas um dia.
- Paraí: 200,8 mm
- Marau: 192 mm
- André da Rocha: 180 mm
- Passo Fundo: 178,6 mm
- Condor: 172,8 mm
- Getúlio Vargas: 172 mm
- Porto Lucena: 171,4 mm
- Lagoa Vermelha: 171,2 mm
- Vanini: 170 mm
- Muitos Capões: 164,6 mm
David Canabarro acumulou 162,2 mm, Nicolau Vergueiro chegou a 161,2 mm e Carazinho teve 158,8 mm.
Também aparecem entre os maiores volumes Paim Filho, com 154,2 mm; Monte Alegre dos Campos, com 153,2 mm; Vacaria, com 151,8 mm; e Ibirapuitã, com 151,6 mm.
Chuva também foi intensa durante a madrugada
Os acumulados das últimas 12 horas mostram que uma parcela significativa da precipitação ocorreu em um intervalo ainda menor.
Marcelino Ramos liderou esse recorte, com 138 mm em 12 horas. Paim Filho registrou 128,2 mm, Getúlio Vargas 119,4 mm, Cruzaltense 111,8 mm e Jacutinga 111,2 mm.
Trindade do Sul acumulou 104,8 mm, Nonoai 103,6 mm e Gramado dos Loureiros 100,8 mm.
Assim, oito municípios apresentados no levantamento ultrapassaram a marca de 100 mm somente no período de 12 horas.
Vendavais também provocam danos pelo Estado
Não foi apenas a chuva. A classificação das ocorrências acompanhadas pela Defesa Civil mostra forte presença de eventos associados ao vento.
O balanço possui 84 vínculos com chuvas intensas e 58 com vendavais.
Também são contabilizados 9 movimentos de massa, 8 inundações, 7 ocorrências de granizo, 5 alagamentos e 2 registros classificados como outros eventos.
Não havia registro de enxurrada na tabela apresentada pela Defesa Civil nesta atualização.
Esses números não representam necessariamente municípios diferentes. Uma mesma cidade pode ter mais de uma classificação de desastre, razão pela qual a soma das ocorrências por tipo supera os 143 municípios afetados.
Rajadas chegam a 72,4 km/h
As estações meteorológicas também registraram vento forte em diferentes pontos do Estado.
Considerando os dados de um dia apresentados no boletim, Planalto teve rajada de 72,4 km/h, a maior velocidade relacionada pela Defesa Civil.
São Borja aparece em seguida, com 69,8 km/h. São José dos Ausentes registrou 63 km/h, Santana do Livramento 60,1 km/h e Pinhal da Serra 56,3 km/h.
No Litoral Norte, Tramandaí chegou a 53,3 km/h e Capão da Canoa a 51,5 km/h. Palmares do Sul registrou 49 km/h e Torres, 42,5 km/h.
206 pessoas tiveram que deixar suas casas
O levantamento estadual registra 51 desabrigados e 155 desalojados. Somadas, são 206 pessoas que tiveram de deixar suas residências em decorrência dos eventos acompanhados pela Defesa Civil.
Há ainda uma pessoa ferida.
Até a atualização da manhã desta quarta-feira, o Estado contabilizava zero mortes, zero óbitos em investigação e nenhum desaparecido nesse balanço.
Os números são estaduais e a tabela divulgada não informa em quais municípios estão as pessoas desabrigadas, desalojadas ou feridas.
Qual a diferença entre desalojados e desabrigados?
A distinção ajuda a compreender os números da Defesa Civil. Uma pessoa desalojada precisou sair temporariamente da residência, mas conseguiu permanecer em outro local, como a casa de parentes ou amigos.
Já o desabrigado necessita de abrigo temporário ou assistência de alojamento após precisar deixar sua moradia.
Portanto, o registro de 206 pessoas fora de suas casas não significa que todas estejam em abrigos públicos.
Quais são as 143 cidades com danos no RS?
A relação divulgada pela Defesa Civil é formada por:
Aceguá, Agudo, Alegrete, Almirante Tamandaré do Sul, Amaral Ferrador, Ametista do Sul, André da Rocha, Araricá, Arroio do Meio, Arroio Grande, Arvorezinha, Augusto Pestana, Bagé, Barra do Quaraí, Barão, Barão de Cotegipe, Barão do Triunfo, Boa Vista do Cadeado, Brochier, Cachoeira do Sul, Cachoeirinha, Cambará do Sul, Campinas do Sul, Campo Bom, Candelária, Canudos do Vale, Capão Bonito do Sul, Caraá, Casca, Caseiros, Cerro Branco, Cerro Grande, Cerro Grande do Sul, Chapada, Cidreira, Ciríaco, Colorado, Coqueiros do Sul, Cândido Godói, David Canabarro, Dois Lajeados, Dona Francisca, Erechim, Erval Seco, Esperança do Sul, Eugênio de Castro, Faxinal do Soturno, Feliz, Forquetinha, Frederico Westphalen, Giruá, Gramado, Harmonia, Ibiraiaras, Ijuí, Imigrante, Independência, Itaara, Itapuca, Jaguari, Jaguarão, Jari, Lajeado, Maquiné, Marau, Marques de Souza, Mato Castelhano, Muliterno, Nicolau Vergueiro, Nonoai, Nova Bassano, Nova Boa Vista, Nova Palma, Nova Ramada, Novo Cabrais, Novo Hamburgo, Palmeira das Missões, Palmitinho, Panambi, Paraíso do Sul, Pareci Novo, Passa Sete, Passo Fundo, Pedras Altas, Pejuçara, Pinheiro Machado, Porto Alegre, Porto Lucena, Porto Xavier, Quaraí, Redentora, Relvado, Restinga Seca, Rio Grande, Rio Pardo, Ronda Alta, Roque Gonzales, Salvador das Missões, Santa Cruz do Sul, Santa Maria, Santa Rosa, Santa Vitória do Palmar, Santiago, Santo Antônio do Planalto, Santo Cristo, Santo Ângelo, Sarandi, Segredo, Senador Salgado Filho, Sete de Setembro, Sinimbu, Sobradinho, São Borja, São Domingos do Sul, São Francisco de Assis, São Francisco de Paula, São Gabriel, São Jerônimo, São Luiz Gonzaga, São Martinho da Serra, São Pedro do Butiá, São Pedro do Sul, São Sebastião do Caí, São Sepé, Tapes, Taquara, Tenente Portela, Terra de Areia, Tramandaí, Travesseiro, Três Forquilhas, Três Passos, Ubiretama, Uruguaiana, Vacaria, Vale do Sol, Vale Real, Venâncio Aires, Vera Cruz, Vila Maria, Vista Alegre, Westfalia e Xangri-Lá.
O que o balanço revela sobre o temporal no RS?
Os dados mostram duas características principais: grande abrangência territorial e diferentes tipos de impacto ocorrendo no mesmo evento.
Enquanto algumas estações registraram acumulados superiores a 150 ou 200 milímetros, outras áreas aparecem principalmente pelos efeitos dos vendavais. Há ainda registros de inundações, alagamentos, granizo e movimentos de massa.
Por isso, o número de 143 municípios afetados é mais representativo da extensão geográfica do episódio do que da intensidade em cada cidade. O boletim não estabelece um ranking de municípios mais atingidos nem detalha individualmente todos os danos.
De onde vêm os dados de chuva e vento?
As tabelas de precipitação utilizam informações do Simagro, Cemaden, INMET e ANA. Os registros de rajadas de vento têm como fontes Simagro, INMET e Redemet.
As medições apresentadas foram consolidadas às 5h30 de 22 de julho de 2026.
O acompanhamento dos danos é realizado pelo Centro de Operações da Defesa Civil do Rio Grande do Sul.
Emergências
Para situações de emergência, o boletim da Defesa Civil orienta a população a acionar os serviços pelos telefones 190 ou 193.
















