Tramandaí, Petrobras e Transpetro estudam alternativas para sistema lagunar do Rio Tramandaí
A situação do sistema lagunar do Rio Tramandaí entrou em uma nova etapa de discussão no Litoral Norte. A Prefeitura de Tramandaí se reuniu com representantes da Petrobras e da Transpetro para avaliar a criação de um Grupo de Trabalho (GT) destinado a reunir estudos técnicos e buscar alternativas para a região.
A proposta envolve analisar informações atuais e recuperar pesquisas históricas sobre o sistema lagunar, incluindo trabalhos desenvolvidos pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), por meio do Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH).
O tema tem impacto que vai além das operações da Transpetro. O complexo de lagoas e canais integra uma bacia hidrográfica estratégica para o Litoral Norte, utilizada para abastecimento, pesca, agricultura, turismo e outras atividades econômicas.
Grupo de Trabalho deverá reunir estudos sobre o Rio Tramandaí

Segundo a Prefeitura de Tramandaí, a proposta apresentada durante a reunião prevê reunir informações e documentos técnicos capazes de auxiliar na avaliação das condições do sistema lagunar.
Os estudos deverão considerar aspectos relacionados à segurança, confiabilidade e eficiência das operações realizadas pela Transpetro na região.
Uma das etapas será justamente localizar e analisar trabalhos já produzidos ao longo dos anos. Entre eles estão pesquisas da UFRGS/IPH que podem ajudar a compreender o comportamento e as transformações do sistema.
Parte desse material, porém, depende de autorização dos detentores dos respectivos direitos para ser utilizada. A administração municipal informou que poderá auxiliar na elaboração dos documentos necessários para viabilizar o acesso.
Bancos de areia já provocaram discussão sobre navegação
A discussão ocorre em uma região onde as condições de navegação já vêm sendo objeto de preocupação.
Em março de 2025, a Prefeitura de Imbé recebeu representantes de um movimento que defendia a dragagem de canais do Rio Tramandaí. Na ocasião, o município informou que havia dificuldade de navegação causada pela formação de bancos de areia nas saídas dos canais entre as lagoas do estuário.
O assunto chegou a ser encaminhado para discussão com o Governo do Rio Grande do Sul.
Por que o sistema lagunar é importante para o Litoral Norte
A Bacia Hidrográfica do Rio Tramandaí possui aproximadamente 2.980 quilômetros quadrados, segundo dados oficiais da Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura do Rio Grande do Sul.
O território compreende uma extensa rede formada por rios, canais e lagoas interligadas. Entre os municípios com áreas inseridas na bacia estão Tramandaí, Imbé, Osório, Capão da Canoa, Xangri-Lá, Maquiné, Terra de Areia, Três Cachoeiras, Três Forquilhas, Arroio do Sal, Cidreira e Balneário Pinhal, entre outros.
Na parte mais baixa da bacia está o conjunto de lagoas conectado ao estuário do Rio Tramandaí. Esses ambientes possuem diferentes usos, incluindo abastecimento público, irrigação, pesca, lazer e turismo.
O estuário também possui relevância ambiental e cultural. É nessa região que ocorre a tradicional pesca cooperativa entre pescadores artesanais e botos, uma das características mais conhecidas da Barra do Rio Tramandaí.
Operação da Transpetro está ligada à estrutura energética do RS
A presença da Transpetro na região faz parte de uma estrutura logística estratégica para o Rio Grande do Sul.
Na costa de Tramandaí existem dois sistemas de monoboias instalados em mar aberto, utilizados para a amarração de navios durante operações envolvendo petróleo e derivados.
A operação conecta o transporte marítimo à estrutura de dutos e ao Terminal Almirante Soares Dutra, em Osório, integrando o Litoral Norte à cadeia de abastecimento de combustíveis e matérias-primas do Estado.
Em Imbé, a Transpetro também mantém estrutura relacionada às operações e ao atendimento de emergências ambientais. A Marinha do Brasil já realizou treinamentos conjuntos na região envolvendo equipamentos para contenção de eventual derramamento de óleo no Rio Tramandaí e na área das monoboias.
O que ainda precisa ser definido
A reunião representa uma etapa inicial. Até o momento, não foram divulgados detalhes sobre:
- a composição definitiva do Grupo de Trabalho;
- o cronograma para conclusão dos estudos;
- eventuais obras ou intervenções no sistema lagunar;
- custos estimados;
- fontes de financiamento;
- licenciamentos ambientais que poderiam ser necessários;
- ou a adoção de dragagem ou outra intervenção específica.
Por isso, ainda não é possível afirmar qual solução poderá ser proposta.
A expectativa é que a recuperação dos estudos históricos e a produção de novas análises permitam compreender melhor as condições do sistema lagunar antes da definição de possíveis intervenções.
A Prefeitura afirma que pretende manter o diálogo com Petrobras, Transpetro e instituições envolvidas para buscar alternativas que conciliem a segurança das operações, a preservação do sistema lagunar e os interesses da comunidade do Litoral Norte.

















