Depois de um banho quente para nos refazermos do frio cortante descemos.
No haal de entrada, no balcão, um senhor magro e alto nos ofereceu uma garrafa com chá quentinho.
-Isto é chá de coca. É ótimo para vocês suportarem os efeitos da altitude- falando num espanhol enrolado.
Depois de um copo de chá nos sentimos mais confortáveis.
Saimos para dar um passeio. A cidadezinha era cortada por ruelas estreitas, em caracóis, com íngrimes elevações.
As construções fortes de pedras maciças, sem pintura, davam-lhe o aspecto rústico dos séculos passados. No centro uma pequena praça junto à igreja imponente de pedras construidas pelos incas, com altares todos de prata.
Àquela hora da tarde, chamou-nos atenção as indias com suas vestes coloridas, carregando os filhos pequenos às costas quebravam o cinza daquele dia sombrio. Alguns turistas esparsos admiravam a arquitetura milenar daquele “pueblo” histórico da cidadezinha de Cusco, no Peru.
Minha amiga e eu fomos ao mercado de artezanato indígina. Encantamo-nos com a beleza e a variedade de cores das peças ali expostas.
Aconteceteu um fato terrívelmente desagradável. Minha amiga foi roubada por um pivet, que levou sua carteira e os dólares.
Era trinta e um de dezembro. Retornamos ao hotel, descansamos e nos preparamos para comemorar a passagem do ano.
A rua principal, em frente à igreja estava enfeitada.
As mesas dispostas nas calçadas ocuparam alguns quarteirões. Enfileirados os fogões improvisados. Os homens de espáduas amplas e mulheres de ancas largas, olhos negros amendoados, cabelos escuros escorridos, enfiadas em suas melhores indumentárias típicas coloridas preparavam as iguarias próprias para aquela noite. Festejavam e procuravam atrair os turistas, vendendo, cantando e tocando suas músicas nativas.
O frio era causticante. Nossas mãos estavam vermelhas e os dedos endurecidos. Estávamos pouco abrigados para aquele frio enregelante, mas nos misturamos com os demais turistas e indígenas, festejando a entrada do ano novo.
Tudo nos parecia mágico encantadoramente estranho.
Era maravilhoso e uma enorme alegria e emoção tomaram conta de nós, ali misturados com aquele povo, comendo sua comida e bebendo sua cultura. Depois de participarmos dos festejos na rua, já não aguentando o frio que nos enregelava entramos no único restaurante que possuía calefação. Estava repleto de turistas de todas as partes do mundo. Escolhemos uma mesa perto da janela. Pedimos “tê caliente” e ficamos observando o movimento e o colorido das ruas. O vai e vem das pessoas dispersas numa liquidificação de culturas. O burburinho das diferentes línguas ali faladas misturava-se ao som calmo e aconchegante da música mecânica no restaurante.
Os ponteiros do relógio caminhavam pachorrentos como o andar daquele povo alegre e vagaroso. O tempo condensado pelo frio escoava lento.
Voltamos ao hotel na madrugada gelada.
Na manhã seguinte prosseguíamos viagem. Iríamos de trem a Macho Picho.






















