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“Vale Tudo” mostra visões opostas sobre sucesso e honestidade

Nesta semana estreou “Vale Tudo”, na TV Globo, e a novela resgata uma pergunta que atravessa gerações no Brasil: até onde você iria para vencer na vida? O dilema vivido pelas personagens Raquel e Maria de Fátima, mãe e filha com visões opostas sobre sucesso e honestidade, não é apenas ficção. Ele acontece, em silêncio ou em altos gritos, dentro de muitas casas por aí.

Raquel acredita na força do trabalho, na dignidade, na ética. É a típica mãe brasileira que acorda cedo, enfrenta a vida de cabeça erguida e sonha com um futuro melhor para os filhos, mas sem abrir mão dos valores. Já Maria de Fátima é o retrato de uma juventude marcada pela pressa, pela pressão de vencer a qualquer custo, pelo desejo de romper com a simplicidade da origem, mesmo que para isso precise “dar um jeitinho”.

Formação do caráter

Como psicóloga clínica, vejo esse embate com frequência no consultório. Por trás dessas diferenças está uma questão muito maior: a formação do nosso caráter. A forma como lidamos com frustrações, como enfrentamos as dores da vida e como escolhemos reagir às injustiças que vivemos é o que molda quem somos.

O mundo lá fora também educa e, às vezes, de forma distorcida (Imagem: Gladskikh Tatiana |Shutterstock)

Ensinamentos da mãe e do mundo

A Terapia Cognitivo-Comportamental nos ensina que nossas crenças centrais, muitas vezes construídas na infância, determinam nossos pensamentos, emoções e comportamentos. Uma mãe que transmite valores de ética e honestidade pode ter uma filha que, ainda assim, internaliza crenças como: “se eu não me aproveitar das oportunidades, serei passada para trás”. E isso não é sinal de falha materna, é sinal de que o mundo lá fora também educa e, às vezes, de forma distorcida.

Vale tudo?

Com o Dia das Mães se aproximando, essa história toca fundo. Quantas mães já se perguntaram se estão fazendo o suficiente? Se os filhos vão valorizar o que aprenderam em casa? E quantas filhas se veem pressionadas a corresponder a um ideal, esquecendo de olhar para dentro e refletir: de onde vem essa urgência? O que eu realmente quero conquistar? E a que custo?

Vale tudo? Não. Porque, no fim, o verdadeiro sucesso é aquele que a gente consegue sustentar com a cabeça tranquila no travesseiro; e isso mãe nenhuma pode conquistar pela filha, mas pode, sim, ensinar pelo exemplo.

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Por Tatiane Paula Souza, psicóloga clínica (TCC)

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