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Veja as causas e os sintomas da intolerância à lactose

A lactose é o maior componente do leite humano. Enquanto dissacarídeo, esse composto se apresenta como a principal fonte de carboidrato e de energia no leite de mamíferos, que desempenha um importante papel na dieta humana. Entre os benefícios da lactose para a saúde de recém-nascidos, está a produção de diferentes macromoléculas, com destaque àquelas que compõem as membranas das células nervosas.

Para a lactose ser absorvida adequadamente, no entanto, é necessária a presença da enzima lactase no intestino delgado. A atividade da lactase é encontrada em humanos a partir de oito semanas de gestação e aumenta acentuadamente após a primeira mamada com o leite humano, atingindo total eficiência nos primeiros 5 dias de vida. 

Conforme afirma a Dra. Soraia Tahan, gastroenterologista, professora adjunta da disciplina de gastroenterologia pediátrica da EPM-UNIFESP e parceira do International Life Sciences Institute (ILSI Brasil), embora algum grau de má digestão de lactose ocorra em todos os bebês e crianças pequenas, isso raramente levará a sintomas de intolerância à lactose.

Causas da intolerância à lactose

Segundo a Dra. Soraia Tahan, explica que a má absorção da lactose é causada pela deficiência da enzima lactase (hipolactasia), podendo ser classificada em congênita, primária e secundária. “A hipolactasia congênita decorre da deficiência congênita de lactase, situação extremamente rara, que causa diarreia grave desde a primeira exposição ao leite. A hipolactasia secundária é uma deficiência transitória de lactose decorrente de condições patológicas que causam danos no intestino delgado com consequente redução da expressão da lactase”, explica.

Ainda conforme a médica, condições associadas são mais comuns em crianças, geradas em decorrência de diarreia por rotavírus e Giardia lamblia. Além disso, a evolução depende da gravidade e dano da mucosa. 

“A hipolactasia primária, também denominada de lactase não persistência (LNP) ou hipolactasia do tipo adulto, é muito frequente na população mundial (cerca de 65%) e resulta do declínio fisiológico e progressivo da expressão da lactase, sendo considerado um processo maturacional normal de autorregulação do ser humano”, diz a Dra. Soraia Tahan.

Sintomas da intolerância à lactose

Como ressalta a especialista, a redução da atividade da lactase (hipolactasia ou LNP) causa má absorção da lactose e pode ou não causar sintomas. Somente quando os sintomas estão presentes é que a hipolactasia pode ser considerada intolerância à lactose. 

“A lactose não absorvida ocasiona uma carga osmótica excessiva e aumenta o conteúdo de água intestinal, indo para o cólon, onde é fermentada por bactérias colônicas com produção de ácidos graxos de cadeia média, hidrogênio, dióxido de carbono e metano. Assim, os sintomas geralmente aparecem de 30 minutos a 2 horas após a ingestão, e incluem arrotos, náuseas, plenitude pós-prandial, dor e distensão abdominal, cólicas, flatulência, diarreia com fezes ácidas e eritema perineal”, pontua a Dra. Soraia Tahan.

A quantidade de lactose ingerida para desencadear sintomas é variável nos indivíduos. Em alguns, aparecem após a ingestão de grandes quantidades de lactose, enquanto em outros com quantidades mínimas. Isso depende de vários fatores como a expressão residual da lactase, ingestão de lactose com outros alimentos, tempo de trânsito intestinal, presença ou não de supercrescimento bacteriano no intestino delgado e composição do microbioma entérico.

Algumas desordens mentais podem intensificar os sintomas da intolerância à lactose (Imagem: Olga Miltsova | Shutterstock)

Intolerância à lactose e saúde mental

A Dra. Soraia Tahan explica que a gravidade dos sintomas de intolerância à lactose não está diretamente ligada à digestão da lactose, mas pode estar associada a fatores como desordens de ansiedade, alto nível de estresse e a presença de síndrome do intestino irritável (SII). 

“Indivíduos com SII e maus absorvedores de lactose podem apresentar sintomas exacerbados ao ingerir lactose, mesmo em pequenas doses, considerando a presença de hipersensibilidade intestinal. Por outro lado, muitos indivíduos com SII e que são lactase persistentes se autointitulam como intolerantes à lactose, sendo que seus sintomas são decorrentes da doença gastrointestinal funcional e não de intolerância à lactose. Importante ressaltar que tanto pacientes com SII como aqueles com intolerância à lactose apresentam altas taxas de comorbidades psicológicas”, pontua.

Diagnóstico e tratamento para intolerância à lactose

Os métodos de diagnósticos para intolerância à lactose incluem pesquisa da atividade da enzima lactase em biópsias jejunais, teste genético, o teste de tolerância à lactose, o teste do hidrogênio no ar expirado e o teste rápido de dosagem de lactase em amostras duodenais (Quick-test). Caso a intolerância seja identificada, a orientação dietética deve ser adequada às particularidades de cada paciente, a fim de evitar prejuízos à sua saúde, destaca a Dra. Soraia Tahan.

“Há grande variabilidade nos graus de deficiência de lactase na população de pacientes com hipolactasia do tipo adulto. O tratamento da intolerância à lactose deve ser personalizado conforme a quantidade de tolerância individual. A redução da lactose na dieta em vez da exclusão é a chave para o tratamento da intolerância à lactose na maioria dos pacientes com hipolactasia, que geralmente toleram a ingestão de 12 g de lactose (equivalente a 200-250 ml de leite), principalmente quando consumido com outros alimentos”, afirma.

O consumo de lactose, com outros alimentos, retarda o esvaziamento gástrico e o trânsito no intestino delgado, permitindo que a lactose tenha mais tempo para ser hidrolisada e absorvida.

Dicas para montar a dieta

Para apoiar aqueles com diagnóstico de intolerância à lactose, a Dra. Soraia Tahan lista algumas dicas que podem contribuir na montagem da dieta, destacando a necessidade de acompanhamento médico frequente. Confira!

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1. Adaptação colônica pode reduzir sintomas

  • Mesmo com hipolactasia, consumir pequenas quantidades de lactose pode estimular bactérias intestinais benéficas;
  • Estudos mostram que isso pode melhorar a digestão da lactose e reduzir os sintomas.

2. Escolha produtos lácteos com baixo teor de lactose

  • Prefira queijos maturados e duros, que contêm pouca lactose;
  • Alguns iogurtes com probióticos ajudam na digestão da lactose.

3. Utilize produtos sem lactose ou enzimas digestivas

  • Leites e derivados “lactose-free” são opções seguras;
  • Suplementação com lactase exógena ajuda na digestão quando consumir lactose.

4. Fique atento à lactose oculta

  • Alimentos processados como batatas fritas, carnes resfriadas, doces e molhos podem conter lactose;
  • Medicamentos podem ter lactose como excipiente, mas geralmente em quantidades pequenas.

5. Probióticos podem ser aliados

  • Algumas cepas probióticas ajudam na digestão da lactose;
  • Estudos indicam que o uso regular de probióticos pode melhorar os sintomas a longo prazo.

Por Milena Almeida

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