Veja como usar brises, cobogós e muxarabis na arquitetura
Em projetos atuais, a arquitetura vai além do visual e abraça propostas que transformam o cotidiano. Itens que regulam a entrada de luz, promovem ventilação natural e criam privacidade sem bloquear a conexão com o ambiente externo se tornam cada vez mais valorizados por profissionais e clientes.
“Brises, cobogós e muxarabis são itens inteligentes que elevam qualquer projeto no que diz respeito à sustentabilidade e funcionalidade. Com o design, considero que todos eles acrescentam um grande apelo visual aliado com a personalidade e o frescor aos locais onde estão inseridos”, explica o arquiteto Raphael Wittmann, à frente do escritório Rawi Arquitetura + Design.
Para relacionar os diferenciais entre brises, cobogós e muxarabis, o arquiteto compreende que é importante entender como cada um filtra a luz e ventilação de maneiras distintas. Dessa forma, ele analisa as necessidades específicas de conforto, estética e serventia do projeto para, só então, decidir qual especificar. Além disso, os materiais utilizados na composição variam, influenciando diretamente o desempenho e a aplicação ideal em diferentes projetos arquitetônicos.
A seguir, descubra como incorporar esses elementos de forma estratégica!
1. Muxarabis
Originários da arquitetura árabe, os muxarabis foram amplamente adotados em regiões como o Norte da África e a Península Ibérica. Trazidos a partir dos portugueses para a arquitetura brasileira, se revelam, originalmente, na forma de gradis ou treliças de madeira, mas também são empregados com outros tipos de materiais na função de criar divisórias ou cumprir o papel de revestimentos ou fechamentos de janelas e varandas.
“Uma das particularidades mais interessantes do muxarabi é o jogo de luz e privacidade que ele proporciona. Quem está dentro consegue enxergar o exterior, mas quem está fora só consegue visualizar o treliçado”, explica Raphael Wittmann.
De quartos a varandas, o muxarabi é um queridinho e perfeito para ambientes que precisam de ventilação e luminosidade controladas e flexíveis. Também é comum estar em portas de entrada, de armários, closets, paredes internas e painéis decorativos.
2. Cobogós

Amplamente aclamados por sua brasilidade, os cobogós surgiram em nosso país durante o movimento modernista na arquitetura e foram inspirados nos grafismos dos muxarabis. Compostos por peças vazadas de cerâmica, barro, porcelana, concreto, vidro e até madeira, eles funcionam como divisórias, fachadas ou como decoração.
“Os cobogós entregam jogos de sombras fascinantes, dando um toque de ludicidade aos ambientes. São ideais para locais que precisam de privacidade permanente e controle constante de luz, como corredores e fachadas”, avalia o arquiteto.
3. Brises

Nascido da mente do arquiteto e urbanista francês Le Corbusier, ainda no século XX, os brises são compostos por lâminas dispostas vertical ou horizontalmente e reverberaram com força na arquitetura contemporânea brasileira como uma solução versátil para fachadas, principalmente corporativas.
“Podem ser fixos ou móveis e até automatizados, permitindo personalizar a luminosidade e o conforto térmico ao longo do dia. Gosto dos brises nas fachadas com maior exposição ao sol para equilibrar a entrada de luz e calor”, afirma o profissional.
Dicas do especialista

Embora existam indicações tradicionais de uso para brises, cobogós e muxarabis, Raphael Wittmann explica não haver restrição para que suas atribuições sejam engessadas. Ele exemplifica que um cobogó pode se transformar em uma cabeceira ou balcão de cozinha e os muxarabis se ajustam como portas de armário ou painéis decorativos em salas.
Além das fachadas, os brises podem integrar pergolados ou até mesmo tetos retráteis. “Tudo depende da funcionalidade desejada, da proposta estética e da personalização que o ambiente requer”, diz ele. A decisão pelo material, por sua vez, varia conforme as necessidades do ambiente e do cliente. “Se o elemento tiver contato com a área externa, priorizo materiais resistentes ao sol e à chuva, como madeiras tratadas ou alumínio”, explica Raphael Wittmann.
De acordo com o especialista, a posição do sol interfere diretamente na escolha entre brises horizontais ou verticais que garantirão a eficiência máxima. Quando o orçamento comporta, ele indica a automatização de brises ou muxarabis para a articulação, elevando o conforto e a praticidade no dia a dia.
Por Emilie Guimarães