O Rio Grande do Sul enfrenta entre esta sexta-feira (17) e os próximos dias uma combinação de fenômenos meteorológicos que aumenta significativamente o risco de transtornos. Segundo a MetSul Meteorologia, uma corrente de jato em baixos níveis excepcionalmente intensa provocará ventos de até 130 km/h em áreas localizadas, temperaturas acima de 35°C em algumas regiões e, na sequência, um período de chuva persistente capaz de elevar o risco de cheias de rios e enchentes.
O período mais crítico da ventania ocorre entre o final da sexta-feira (17) e sábado (18), enquanto a chuva tende a ganhar força a partir de domingo (19), permanecendo sobre o Estado durante vários dias.
O que é a corrente de jato em baixos níveis?
A corrente de jato em baixos níveis (JBN) é um corredor de ventos muito fortes localizado entre aproximadamente 1.000 e 2.000 metros de altitude.
Ela normalmente transporta ar quente da região amazônica e da Bolívia em direção ao Sul do Brasil. Embora esse fenômeno seja relativamente comum durante determinadas épocas do ano, a intensidade prevista para este episódio é considerada incomum.
Os modelos meteorológicos analisados pela MetSul indicam ventos extremamente intensos em altitude, podendo alcançar até 150 km/h.
Mesmo que essas velocidades ocorram acima da superfície, parte dessa energia será transferida para o solo, provocando rajadas muito fortes em diversas regiões gaúchas.
Rajadas podem superar 100 km/h em áreas específicas
A previsão indica vento forte em praticamente todo o Rio Grande do Sul.
Na maioria dos municípios, as rajadas devem variar entre 50 km/h e 80 km/h.
Em áreas serranas, encostas, vales e regiões de maior altitude, os ventos poderão atingir 80 km/h a 100 km/h.
De forma localizada, especialmente em áreas favorecidas pelo relevo, as rajadas poderão alcançar entre 100 km/h e 130 km/h.
Diferentemente do que costuma ocorrer em temporais, este vento poderá soprar com grande intensidade mesmo durante períodos de tempo seco e com presença de sol.
Quais os principais riscos?
A intensidade prevista é suficiente para provocar diversos transtornos, entre eles:
- queda de árvores;
- destelhamentos;
- danos em estruturas;
- queda de postes;
- interrupções no fornecimento de energia elétrica;
- dificuldades no trânsito em rodovias.
Os maiores impactos tendem a ocorrer em áreas de relevo acidentado, onde o vento costuma ser intensificado.
Calor será muito acima do normal para julho
Além da ventania, o transporte de ar quente provocará temperaturas muito elevadas para esta época do ano.
Em locais de vales e encostas, o chamado aquecimento adiabático poderá elevar ainda mais a temperatura.
Nessas áreas, os termômetros poderão ficar próximos ou até superar 35°C, marcas bastante incomuns para o inverno gaúcho.
Depois do vento, chega a chuva intensa
Após a atuação do vento Norte, uma frente quente deverá permanecer praticamente estacionária sobre o Estado.
Esse sistema favorecerá vários episódios de chuva entre o fim de semana e a próxima semana.
Os maiores acumulados são esperados entre domingo (19) e terça-feira.
Em diversos municípios do Oeste, Centro e Sul do Estado, os volumes poderão variar entre 100 mm e 200 mm, com pontos isolados alcançando até 300 mm.
Em algumas localidades, esse volume representa entre 100% e 200% da média histórica de chuva para todo o mês de julho.
Quais rios apresentam maior risco de cheia?
Segundo a análise da MetSul, o risco inicial de elevação significativa dos rios concentra-se principalmente nas bacias do:
- Rio Quaraí;
- Rio Ibirapuitã;
- Rio Santa Maria;
- Rio Vacacaí;
- Rio Jaguari;
- Rio Piratini;
- Rio Camaquã.
O Rio Jacuí também permanece sob monitoramento, embora ainda exista divergência entre os modelos sobre os volumes de chuva previstos em sua bacia.
Orientações durante a ventania
- Evite permanecer sob árvores durante as rajadas.
- Reforce telhados e objetos soltos em áreas externas.
- Redobre a atenção ao dirigir veículos altos em rodovias.
- Evite estacionar próximo de postes e árvores.
- Acompanhe os alertas da Defesa Civil e dos serviços oficiais de meteorologia.
Análise do Editor
O destaque deste evento não está apenas na intensidade do vento, mas na combinação de fenômenos em sequência. Primeiro ocorre uma ventania excepcional provocada pela corrente de jato em baixos níveis, acompanhada de calor incomum para julho. Em seguida, a chegada de uma frente praticamente estacionária favorece chuva persistente, aumentando o potencial para alagamentos, enchentes e cheias de rios. Essa sucessão de eventos exige monitoramento constante da previsão, pois pequenas alterações na posição dos sistemas podem modificar significativamente as áreas mais afetadas.
















