Zucco apresenta um programa de governo para o Rio Grande do Sul baseado em crescimento econômico, segurança pública, melhoria dos serviços, infraestrutura, responsabilidade fiscal e preparação para eventos climáticos extremos.
O Litoralmania analisou o Programa de Governo Rio Grande do Sul 2027–2030 — “O Rio Grande Pode Mais”, apresentado pela chapa de Zucco e Silvana Covatti.
Esta reportagem faz parte da série especial do Litoralmania sobre as Eleições 2026. O projeto analisa os planos e propostas oficiais dos candidatos ao Governo do Rio Grande do Sul utilizando uma mesma metodologia.
A prioridade é dada aos documentos oficiais apresentados pelas candidaturas. Entrevistas, discursos e declarações isoladas não são utilizados para definir as propostas analisadas.
Também foi feito um recorte específico para o Litoral Norte. Quando o programa não apresenta uma proposta diretamente vinculada à região ou a um município, isso é informado e não tratado como uma promessa específica.
O que Zucco propõe para o Rio Grande do Sul?
O programa apresenta propostas para áreas como gestão pública, segurança, saúde, educação, infraestrutura, turismo, meio ambiente, energia, desenvolvimento econômico, habitação, agricultura, tecnologia e prevenção de eventos climáticos.
Na apresentação do documento, a candidatura defende um Estado mais eficiente, com redução de burocracia, melhoria do ambiente de negócios, atração de investimentos e fortalecimento das cadeias produtivas.
O programa também coloca a responsabilidade fiscal, a modernização dos serviços públicos e a preparação do Estado para os efeitos das mudanças climáticas entre suas diretrizes.
Gestão pública: foco em resultados e eficiência
Na administração pública, o programa propõe uma gestão baseada em resultados, com definição de metas, indicadores e acompanhamento das entregas.
Uma das diretrizes é modernizar a gestão de pessoas, com avaliação de desempenho, formação de lideranças, mobilidade e capacitação vinculada às necessidades dos serviços.
O documento também propõe profissionalizar funções estratégicas e estabelecer critérios para seleção e desenvolvimento de lideranças.
Outra frente é ampliar o uso de dados, automação e inteligência artificial na administração, com preocupação declarada com segurança da informação, proteção de dados e resultados concretos para o cidadão.
Segurança pública: inteligência e combate ao crime organizado
A segurança pública ocupa espaço relevante no programa.
A candidatura propõe fortalecer a integração entre as forças de segurança, ampliar a inteligência policial e utilizar investigação patrimonial e financeira para combater organizações criminosas.
O programa também prevê ampliar o cercamento eletrônico, videomonitoramento e sistemas de leitura automática de placas.
Outra proposta é reduzir áreas com baixa cobertura policial e melhorar o tempo de resposta das forças de segurança.
O documento prevê ainda recomposição de efetivos, renovação de viaturas e equipamentos, modernização da perícia e fortalecimento da segurança rural.
Sistema prisional também é prioridade
Para o sistema penitenciário, a proposta é ampliar o controle das unidades e fortalecer a inteligência para impedir que organizações criminosas mantenham estruturas de comando dentro dos presídios.
Entre as medidas estão classificação de presos por risco e perfil, modernização da infraestrutura, tecnologias de inspeção e fortalecimento da Polícia Penal.
O programa também propõe ampliar trabalho e educação para pessoas privadas de liberdade e melhorar a preparação para a saída do sistema.
Saúde: regionalização, filas e atendimento especializado
Na saúde, o programa propõe reduzir o tempo de espera para consultas, exames, cirurgias e tratamentos especializados.
Uma das medidas é organizar uma fila única e transparente, permitindo ao cidadão acompanhar a situação da solicitação e sua prioridade.
A candidatura também propõe regionalizar a oferta de serviços especializados e fortalecer hospitais e regiões que concentram atendimentos de pacientes de diferentes municípios.
O programa prevê ampliar telessaúde, teleinterconsulta, telediagnóstico e monitoramento remoto para reduzir deslocamentos desnecessários.
Também estão previstas medidas para fortalecer a saúde mental, acelerar diagnóstico e tratamento do câncer, garantir medicamentos e tratamentos contínuos e qualificar a atenção materno-infantil.
Na assistência às pessoas com Transtorno do Espectro Autista, o documento propõe considerar demandas específicas e regionalizadas e aprimorar programas como o TEAcolhe.
Educação: aprendizagem, ensino técnico e escolas preparadas para crises
Na educação, o programa prioriza a melhoria da aprendizagem e a redução das desigualdades entre estudantes e escolas.
Entre as propostas estão reforço escolar, recuperação de defasagens, acompanhamento individualizado e fortalecimento da liderança escolar.
O documento também prevê ampliar a educação profissional e técnica de acordo com as vocações econômicas de cada região.
Entre as áreas citadas estão agroindústria, agricultura de precisão, tecnologia, indústria, saúde, logística, energias renováveis, turismo, construção sustentável e gestão de riscos climáticos.
Outra proposta é valorizar os profissionais da educação, com planejamento de pessoal, concursos públicos periódicos e redução gradual da dependência de contratos temporários.
Primeira infância e proteção social
O programa propõe tratar a Primeira Infância de forma integrada entre saúde, educação, assistência social e proteção.
Entre as medidas estão identificar crianças que estejam fora de serviços essenciais, integrar informações de nascimento, vacinação, saúde, assistência e educação e adotar estratégias específicas para crianças em situação de vulnerabilidade.
O documento também prevê preparar os serviços públicos para situações de emergência, garantindo continuidade de vacinação, alimentação, educação infantil e acompanhamento familiar durante desastres.
Na assistência social, a candidatura defende o fortalecimento do SUAS, acompanhamento integrado das famílias vulneráveis e políticas de inclusão produtiva.
Enchentes: prevenção passa a ser prioridade
Os eventos climáticos extremos aparecem em diferentes áreas do programa.
Na gestão de riscos, a proposta é fortalecer a prevenção, o monitoramento e a capacidade de resposta do Estado.
O documento prevê melhorar sistemas de alerta, ampliar o monitoramento de riscos e utilizar informações técnicas para orientar decisões sobre prevenção e infraestrutura.
Também há propostas relacionadas à manutenção e recuperação de estruturas de proteção contra cheias e à integração entre municípios em situações de emergência.
Na política ambiental, o programa propõe recuperar áreas úmidas, matas ciliares, nascentes, solos e planícies de inundação, combinando soluções baseadas na natureza com infraestrutura quando necessário.
Segurança hídrica e gestão das águas
O programa propõe executar o planejamento estadual de recursos hídricos com gestão por bacias hidrográficas.
A ideia é fortalecer os comitês de bacia e priorizar áreas consideradas críticas, integrando abastecimento, irrigação, indústria, conservação e prevenção de conflitos pelo uso da água.
Também está prevista a ampliação de redes de monitoramento, sensores, telemetria e modelos de previsão para orientar decisões em períodos de estiagem e cheias.
Infraestrutura: rodovias, ferrovias, hidrovias e portos
Na infraestrutura, a proposta é tratar rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos como partes de um sistema logístico integrado.
Para as rodovias, o programa prevê priorizar intervenções conforme dados de acidentes, capacidade e circulação.
Entre as possibilidades estão duplicações, terceiras faixas, correções de traçado, acostamentos, travessias e melhorias de sinalização.
Também está prevista a conclusão de acessos pavimentados a municípios, comunidades e áreas produtivas que ainda dependem de ligações consideradas precárias.
O Estado também apoiaria municípios e consórcios na qualificação de estradas vicinais, pontes e corredores rurais.
BR-290, BR-386 e outras rodovias estratégicas
O programa propõe defender junto ao Governo Federal investimentos em rodovias e estruturas federais consideradas estratégicas para o Estado.
Entre os corredores citados no documento estão a BR-290, BR-116, BR-392 e BR-386, além de ligações internacionais.
Na área ferroviária, a candidatura propõe participar da nova concessão da Malha Sul e defender a recuperação de trechos viáveis e a integração com o Porto do Rio Grande.
Também há propostas para ampliar terminais intermodais, tornar as hidrovias mais regulares e fortalecer o sistema portuário gaúcho.
Turismo: regionalização e redução da sazonalidade
O programa apresenta o turismo como uma estratégia permanente de desenvolvimento econômico e geração de empregos.
A candidatura propõe fortalecer a regionalização do turismo, integrar municípios e transformar atrativos isolados em produtos turísticos comercializáveis.
O objetivo é aumentar o fluxo de visitantes durante todo o ano e reduzir a dependência da alta temporada.
O documento cita turismo de natureza, cultura, gastronomia, eventos, turismo rural, esporte, religião, saúde e bem-estar, conforme a vocação de cada região.
Também propõe utilizar o Mercosul como primeiro mercado internacional prioritário, com ações voltadas a Argentina, Uruguai, Paraguai e Chile.
Entre as medidas estão ainda apoio a pequenos negócios turísticos e criativos, qualificação dos destinos e atração de produções audiovisuais.
Energia e transição tecnológica
Na área energética, o programa propõe um planejamento de longo prazo para antecipar a expansão das redes e eliminar gargalos que dificultam novos empreendimentos.
A candidatura também defende ampliar o aproveitamento de fontes renováveis, geração distribuída, biogás, biometano e hidrogênio.
O documento coloca a segurança do abastecimento e a resiliência diante de eventos climáticos extremos como prioridades da política energética.
Economia, indústria e inovação
Na economia, a proposta é melhorar o ambiente de negócios e ampliar a capacidade do Estado de atrair e reter investimentos.
O programa defende fortalecer cadeias produtivas, apoiar pequenas e médias empresas e ampliar programas de qualificação profissional ligados às necessidades da indústria.
Também prevê estimular inovação, transformação digital da indústria e internacionalização de empresas gaúchas.
Na área de ciência e tecnologia, há propostas para ampliar acesso a dados, nuvem e capacidade computacional para pesquisa e inovação, além de apoiar o desenvolvimento responsável de inteligência artificial.
Agropecuária e agregação de valor
O programa propõe fortalecer a defesa agropecuária, a sanidade animal e vegetal e a rastreabilidade da produção.
Outra frente é estimular a agregação de valor às matérias-primas gaúchas, ampliando o processamento de alimentos, proteínas, bioprodutos e outros insumos próximos das regiões produtoras.
A candidatura também prevê apoio a cooperativas e empresas e preparação de áreas e infraestrutura para novos empreendimentos industriais.
Meio ambiente e ecossistemas costeiros
Na área ambiental, o programa propõe fortalecer fiscalização, monitoramento e gestão baseada em dados.
O documento cita expressamente a proteção de ecossistemas costeiros, além de Pampa, Mata Atlântica, campos, florestas e ambientes aquáticos.
Também estão previstas medidas de conservação da biodiversidade, pagamento por serviços ambientais, recuperação de áreas degradadas e expansão da economia circular.
Habitação e desenvolvimento urbano
Na habitação, a candidatura propõe ampliar a oferta de moradias próximas a transporte, trabalho, escolas, saúde e comércio.
Também estão previstas reformas de moradias, regularização fundiária e recuperação de áreas atingidas por desastres.
O programa estabelece que novas moradias não devem ser reconstruídas em áreas de risco, com uso de mapas e avaliações técnicas para orientar decisões.
Transformação digital do Estado
O programa prevê transformar serviços públicos para que mais atendimentos possam ser realizados de forma digital.
Entre as propostas estão sistemas interoperáveis, proteção de dados, segurança cibernética, automação e utilização responsável de inteligência artificial.
A candidatura também defende que a tecnologia seja avaliada pelos resultados produzidos, como redução de custos, tempo, erros, burocracia e deslocamentos.
14 projetos estratégicos
Na parte final, o programa reúne 14 projetos e programas estratégicos que deverão receber acompanhamento direto do centro de governo.
- Preparar e entregar projetos estratégicos;
- Proteger as bacias contra cheias;
- Ampliar a segurança hídrica;
- Integrar o corredor logístico do Cone Sul;
- Transformar a energia e a bioeconomia da Metade Sul;
- Desenvolver a microeletrônica gaúcha;
- Construir um polo de tecnologias em saúde;
- Agregar valor à produção gaúcha;
- Conectar todo o Rio Grande;
- Integrar a mobilidade metropolitana;
- Requalificar cidades e moradias;
- Internacionalizar o Rio Grande do Sul;
- Formar talentos para os projetos do futuro;
- Transformar o Estado em plataforma digital.
O documento define esses projetos como iniciativas estruturantes e transversais, envolvendo diferentes secretarias, órgãos públicos, municípios, setor privado e sociedade civil.
O que o programa de Zucco propõe para o Litoral Norte?
O programa não apresenta uma proposta nominal específica para o Litoral Norte.
Na busca pelo documento, não foram identificadas referências diretas a Osório, Tramandaí, Torres ou Santo Antônio da Patrulha, nem uma seção dedicada especificamente ao Litoral Norte.
Isso não significa que as políticas propostas não possam produzir efeitos na região. Saúde regionalizada, infraestrutura rodoviária, turismo, prevenção de eventos climáticos, segurança hídrica, proteção de ecossistemas costeiros e desenvolvimento econômico são áreas com potencial de impacto sobre os municípios costeiros.
No entanto, seguindo a metodologia desta série, essas propostas são apresentadas como políticas estaduais gerais, e não como compromissos específicos com o Litoral Norte.
O turismo é um exemplo. O programa fala em fortalecer regiões e governanças turísticas, integrar municípios e ampliar o turismo durante todo o ano, mas não associa essas medidas nominalmente ao Litoral Norte.
Da mesma forma, a menção a ecossistemas costeiros aparece dentro da política ambiental estadual e não como uma promessa específica para a costa gaúcha.
O que diferencia o programa
Um dos elementos que mais se destacam no documento é a tentativa de organizar as propostas em torno de resultados, indicadores e acompanhamento da execução.
O programa também dá destaque à integração entre políticas públicas e à necessidade de transformar estudos e projetos em iniciativas efetivamente financiáveis e executáveis.
Na parte final, os 14 projetos estratégicos funcionam como uma síntese das prioridades apresentadas ao longo do documento.
Série do Litoralmania terá análise dos demais candidatos
A análise faz parte da série especial do Litoralmania sobre os planos de governo dos candidatos ao Governo do Rio Grande do Sul.
Todos os documentos são analisados com a mesma metodologia, priorizando as propostas efetivamente registradas nos planos oficiais.
O objetivo é permitir que o eleitor compare o que cada candidatura apresenta para áreas como saúde, educação, segurança, infraestrutura, turismo, economia, meio ambiente e desenvolvimento regional.
















