Ancorados na Esperança, praticando o perdão – Dom Jaime Pedro Kohl
Neste terceiro encontro da nossa caminhada quaresmal em preparação para a Páscoa nos grupos eclesiais, sempre ancorados na esperança, somos convidados a refletir sobre a reconciliação, que traz consigo a necessidade do perdão — uma realidade que toca a todos, pois, devido às nossas limitações humanas, não conseguimos ser perfeitos, seja na relação com Deus, com os outros ou com a criação.
Como introduz o subsídio: “O perdão é um dom de Deus e, ao mesmo tempo, um exercício de fraternidade. Quem pede perdão reconhece a sua fragilidade, e quem perdoa exercita a humanidade. O Papa Francisco nos recorda, na Bula do Jubileu, n. 23: ‘Perdoar não muda o passado, não pode modificar o que já aconteceu; no entanto, o perdão pode nos permitir mudar o futuro e viver de forma diferente, sem rancor, ódio e vingança’.”
O grande convite da Quaresma é a conversão. Antes de tudo, devemos nos deixar reconciliar com Deus, cientes de que essa reconciliação passa pelo reencontro com os irmãos. Convém lembrar o que pedimos sempre que rezamos o Pai-Nosso: “Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido.” Que nossos encontros de grupo, nossas celebrações e nossas mensagens nos disponham a promover a reconciliação em nossas famílias, comunidades e com todos aqueles com quem convivemos.
O texto bíblico proposto, Mt 18, 21-35, sobre a correção fraterna, é muito claro quanto à necessidade de pedir e conceder o perdão. À pergunta de Pedro sobre até quantas vezes devemos perdoar, Jesus respondeu: “Não até sete vezes, mas até setenta vezes sete vezes”, ou seja, sempre. Deus não põe limites ao perdão. Sua misericórdia é infinita, e Ele está sempre pronto para o abraço do perdão. Sempre podemos recomeçar. O grande desafio é perdoar de coração o nosso irmão se queremos contar com a misericórdia de Deus.
Perdoando, caminhamos na esperança. A reconciliação com Deus, consigo mesmo, com os outros e com a Casa Comum é o itinerário da paz que leva à esperança. Sem amor a Deus, sem atenção a si próprio, sem perdão aos outros e sem cuidado com a Casa Comum, a destruição toma conta e a esperança desaparece. Deixemo-nos reconciliar com Cristo. Ancorados Nele, podemos praticar o perdão e gerar esperança e vida.
Dom Jaime Pedro Kohl – Bispo de Osório