O final do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff deixa uma pletora de estilhaços resultantes da implosão fragmentária da malha, já esgarçada, do convívio há muito tempo fragilizado.
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Algumas dúvidas, preexistentes, serão ampliadas em número e amplitude. A lei rege com isonomia situações similares ou, como George Orwell previu na sua obra “A revolução dos bichos” os “mais iguais” esgueirar-se-ão impunes ou, no máximo, com as asas chamuscadas? Vale para o presente e, muito mais preocupante, para situações que ainda aguardam desfecho. Eduardo Cunha poderá embarcar na carona?
A lei da ficha suja inibitória para candidatos continuará a viger ou, como o STF por 6 votos a 5 decidiu serão delegados indiscriminadamente poderes a vereadores, deputados e senadores e, por conseguinte os executivos que tiverem maioria também serão “mais iguais”?
Podem regimentos de casas legislativas se sobreporem à Constituição Federal como ocorreu? O renomado jurista Ives Gandra Martins discorda da dicotomia realizada: “Meu amigo Ricardo Lewandowski foi infeliz em procurar interpretar o texto constitucional por regimento e não regimentos pela Constituição Federal”.
Duvidas… dúvidas… dúvidas… Lewandowski e Gandra Martins são juristas respeitados e, se discordam frontalmente em assunto de tal relevância, o que resta para embasar a convicção de leigos?
Poucas certezas, sendo o esgarçamento das relações o mais proeminente. Definitivamente a sociedade se fragmentou como um vaso de cristal espatifado. Os cacos dificilmente serão realinhados e, se o forem, os sinais das gretas permanecerão eternos. Mesmo no convívio familiar o ambiente que já era muitas vezes tenso, assuntos pertinentes aos fatos passarão ser abordados com extremo cuidado para não provocar maiores abalos e, quando o forem, o consenso não será fácil.
Muitas indignações foram anexadas às preexistentes e o volume ameaça soterrar o que resta de credibilidade nas instituições que deveriam ser a âncora que fixa e estabiliza a sociedade. Deveriam…
Partidos fazem plenamente jus ao nome: PARTIDOS. Deveriam ser monolíticos. A diversidade deveria ocorrer pela pluralidade de programas e não oscilar de acordo com as conveniências momentâneas. E não me refiro a nenhum partido em particular. A todos, indistintamente.
Oxalá às certezas não se alinhe a que se vislumbra na fímbria do horizonte, a derrocada da economia, a desesperança, irmã siamesa do descrédito nos responsáveis pelo destino da nação.
E NÃO ADIANTA TROCAR SEIS POR MEIA DÚZIA.
Jayme José de Oliveira – Capão da Canoa – RS – Brasil
(51)98462936 – (51)81186972























