Da Série Meus Poemas Satânicos eHaikais Transgressores

Paródia ao poema “José”,

de Carlos Drummond de Andrade

Ontem, aqui em Capão da Canoa, deveria ocorrer a aplicação da segunda dose do imunizante ao CIVID-19 para os acima de 72 anos. Resumo da ópera: não havia mais o estoque da vacina.

Para amenizar minha angústia/raiva escrevi esta paródia ao poema JOSÉ, de Carlos Drummond de Andrade.

Fui movido pela indignação e enquanto em mim ela existir será sinal de que estou vivo. Se concorda compartilhe (sem esquecer de me dar os créditos), se não, ria um pouco, porque é só o que grátis lhe resta.

E agora, Já ir?
A vacina acabou,
a esperança finou,
o povo sucumbiu,
a noite impediu

o riso de alegria.

Já ir, você nos traiu,

e agora, Já ir?
e agora, você?
você que não tem sabedoria,
que zomba dos outros,
você que faz bravatas,
xinga, protesta,
e agora, Já ir?

Está sem suporte,
está sem discurso,
está sem carinho,
dos que em ti confiaram,
já não pode passear,
teu pastel só tem vento,
teu café esfriou,

teu boteco fechou,
a Coronavac não veio,
a Pfizer não veio,
a Astrazeneca não veio,
o riso não veio

só veio a utopia
e tudo acabou.
A esperança fugiu,
o sonho mofou,

fiquei sem vacina,

cadê a segunda dose?
E agora, Já ir?

E agora, Já ir?
Sua chula palavra,
seu delírio constante,
sua absurda teimosia,
sua insana tirania,
seu bando de acólitos,
em submissas hosanas
à sua incoerência,
seu gabinete do ódio — e agora?

Com o arrependimento na alma
quer comprar a vacina,
não mais existe vacina;
quer atravessar o mar,
mas o mar secou;
quer ir para o Rio,
O Rido de Janeiro não há mais.
Já ir, e agora?

Se você escutasse,
se você concordasse,
se você se tocasse,
que esse vírus maldito

“gripezinha” não fosse,

se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse…
Mas você não morre,
você é duro, Já ir!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
em terrível agonia,
vendo o povo sofrer
sem poder se em(in)tubar,
sem leito de UTI,
você unicamente deseja,
se eleito outra vez.

Mas você marcha, Já ir!
Já ir, para onde?

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