Palmares do Sul tem seu primeiro impeachment

A Câmara de Vereadores de Palmares do sul na última sexta feira  decidiu de forma inédita pela cassação do mandato do então prefeito  Ernesto Ortiz Romacho, do PSDB. Em sessão extraordinária e de julgamento foi decidido por sete votos a dois pela cassação.

A sessão durou aproximadamente 8 horas entre debates, leitura de relatório, acusação e defesa e que culminou com o impeachment do prefeito. As investigações feitas pela Comissão de Impeachment foram sobre contratos irregulares com dois escritórios de advocacia, gastos com publicidade sem licitação, desvio de recursos previdenciários para o gabinete, a reforma da escola Bento Gonçalves sem licitação e também a concessão de cargo de confiança para uma professora estadual que não estava afastada de suas funções no Estado.

Ortiz já desde sua eleição estava com minoritária na base de apoio no Legislativo e diante desta situação a derrota já era tida como certa.

Após a decisão diante de um plenário lotado, a presidente da Câmara, Idene Boschetti assinou o Decreto Lei que destitui Ortiz e  imediatamente anunciou a posse do vice-prefeito Luciano Bins. A votação ocorreu de forma  secreta, mas ficou claro  os dois  vereadores que  se posicionaram em favor do prefeito.

Um número expressivo de moradores e veranistas do  balneário de Quintão estão de luto pois grande parte da base eleitoral de Ortiz é deste distrito. Foi por Quintão que Ortiz se elegeu pela primeira vez em 1992. É do Quintão que Ortiz obteve mais de 70% de seus votos. No entanto, é notável  também que grande parte desta base ultimamente estava  muito descontente com  a sua administração.

Quintão, já há alguns anos tem sofrido com a falta de um olhar político- administrativo voltado para a gestão do turismo sustentável.

Com ações estruturantes voltadas ao benefício da comunidade e o incentivo ao turismo e que estimulem a geração do aumento da renda familiar. Esperava-se de Ortiz uma ação mais voltada a esta questão, O prefeito cassado, vem de uma geração de políticos que primeiro executam e depois verificam se a ação é legal. O que não é mais possível depois da Lei Complementar 101/2001- Lei de Responsabilidade Fiscal que estabelece normas de finanças públicas voltadas para a responsabilidade na gestão fiscal.

Em sua defesa, Ortiz afirmou que podem ter havido problemas administrativos, mas que esses não eram motivo para levar à sua cassação.

Vanir de Mattos, seu advogado de defesa já anunciou que entrará na Justiça, tentando a anulação do processo.

Para alguns eleitores de Ortiz o que aconteceu é que a administração de Palmares estava sendo feita nos mesmos moldes de 1992/96 onde o prefeito determinava as ações sem sofrer sanções. Também por  não ter conseguido manter fiel a si, a  base de apoio que havia conquistado no início de sua gestão o que dificultou em muito o relacionamento entre executivo e legislativo agravando a situação até o momento que ficou insustentável ocasionando o impeachment.

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