Por que recusar? – Jayme José de Oliveira

PONTO E CONTRAPONTO- por Jayme José de Oliveira
“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

POR QUE RECUSAR?

No consenso geral a pandemia Covid-19 é o maior problema que o mundo enfrenta atualmente e o Brasil sobressai num enfrentamento heterodoxo, canhestro, contraproducente, criminoso podemos afirmar.
No consenso científico, a medicina aponta três procedimentos recomendados: vacina, máscara e distanciamento social. Não são conhecidos tratamentos eficazes ou preventivos.

O Brasil, no entendimento de sua autoridade maior, o Presidente Bolsonaro, dificulta a vacinação em massa, despreza o uso de máscaras e condena o distanciamento social, aliás, o lockdown preconizado por governadores e prefeitos gera atritos e o STF foi chamado a se posicionar contra a proibição de comparecimento presencial em templos, resultado: 9X2 mantendo a proibição.
Lembrando Alexandre o Grande, que cortou o nó Górdio no VIII a.C., o ministro do STF Luís Roberto Barroso determinou ao Senado a instalação de uma CPI da Pandemia, com foco dirigido aos procedimentos que não evitaram centenas de milhares de mortes devido ao desastroso encaminhamento executado à revelia dos ditames da ciência. Cloroquina, ivermectina e outros fármacos se revelaram não apenas ineficientes como, pior, de uso perigoso.

Ressalto: a única possibilidade de restringir os efeitos catastrófico é a VACINA, que continua sendo aplicada a conta-gotas devido à imprevidência governamental: não adquirimos quando as havia à disposição. O Presidente Bolsonaro deixou de comprar 700 milhões de doses oferecidas ao Brasil em 2020: 138 milhões da OMS Covax, 100 milhões da Sputnik, 200 milhões a AstraZeneca, 160 milhões do Butantan, 70 milhões da Pfizer, 20 milhões da Johnson, 20 milhões da Moderna e 20 milhões da Bharat.

Demonstrando espírito cívico e, também, laborando em benefício próprio (vacinar seus funcionários), empresários se dispõem a adquirir uma quantidade que permita doar a metade para ser aplicada no SUS.

Incompreensível que a oposição queira barrar e questionar nos tribunais a possibilidade que foi aprovada na Câmara por 317 votos favoráveis contra 120 contrários. E mais, poderão ser negociados imunizantes que não tenham ainda sido aprovados pela ANVISA, desde que o produto comprado tenha a chancela de qualquer autoridade sanitária estrangeira certificada pela OMS.
Posições antagônicas: A deputada federal Fernanda Melchionna (PSOL-RS) pretende recorrer ao STF para impedir. A deputada federal Celina Leão (PP-DF), relatora da matéria considera a lei uma maneira de mitigar, inclusive, os danos econômicos ao país. A cada funcionário que a empresa vacinar retira dois da fila, pois haverá a doação de uma para o SUS.

O texto tem o apoio do Presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL): “A iniciativa privada pode dar mais agilidade ao processo e não prejudica ninguém”.

“Vamos tentar reverter isso no STF. É um fura-fila legalizando o salve-se quem puder”, reage o deputado médico Henrique Fontana (PT-RS).

Os dados estão rolando e, creio, muitos estão de acordo com a aprovação da lei, principalmente os 50% que de outro modo não seriam vacinados, visto que, repito, para cada vacina que as empresas comprarem para seus funcionários, outra será doada ao SUS.

Façamos um retrospecto da situação real das vacinas aplicadas até 18//04/2012:

1ª dose: 25.777.943; 2ª dose:9.134.959;
Total: 34.912.902.

Na hipótese de estar vigendo a lei proposta, empresas poderiam, hipoteticamente, ter adquirido – digamos – 3.215.018 vacinas para seus funcionários. Para tanto outras 3.215.018teriam de ser doadas para o SUS e aplicadas de acordo com os trâmites em vigor.

Atentem: 6.530.136 doses a mais de vacinas aplicadas. Nenhum fura-fila, apenas, repito, 6.530.136 vacinas em ação. Não posso supor que isso viria em prejuízo a NINGUÉM.

Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado

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