RS participa de treinamento sobre controle de gafanhotos: em 2020 o estado esteve sob ameaça

O controle eficiente e seguro de nuvens de gafanhotos está na pauta do encontro do grupo técnico do Comitê de Sanidade Vegetal do Mercosul (Cosave), em Tucumán, na Argentina.

Os fiscais agropecuários do Departamento de Defesa Vegetal (DDV) da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr) estão participando de treinamento para o monitoramento e controle de nuvens de gafanhotos migratórios (Schistocerca cancellata), a convite do SENASA (Servicio Nacional de Sanidad y Calidad Agroalimentaria) da Argentina.

O treinamento ocorre até o 28 de novembro, por meio de plataforma virtual do SENASA, com vídeos aula, reuniões técnicas e avaliações.

As atividades práticas aconteceram nos dias 16 e 17 de novembro na cidade argentina de San Miguel de Tucumán, na Província de Tucumán, escolhida por estar no circuito migratório do gafanhoto.

“A participação neste encontro é fundamental para que a Defesa Agropecuária Estadual esteja preparada para agir em caso de ocorrência de gafanhotos gregários migratórios com risco de ingresso no Estado”, destaca Ricardo Felicetti, diretor do DDV da Seapdr.

Participam das atividades agentes públicos e privados que atuam na área de defesa agropecuária da Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai, Peru e Uruguai.

O treinamento prático contou com palestras de técnicos e aeroaplicadores locais, demonstração e calibração de equipamentos utilizados para controle e simulação de ocorrência da praga em local com histórico de nuvem no ano de 2020.

O responsável pelo treinamento, o coordenador geral de Emergências e Contingências do SENASA, Hector Emilio Medina, avalia que a participação de todos os países sul-americanos é fundamental para o êxito no monitoramento e controle da praga em toda a macrorregião.

“A nossa participação no treinamento é fundamental para conhecer o gafanhoto sul-americano e entender as dificuldades no monitoramento e controle das nuvens. Com a parte prática realizada em Tucumán, tivemos a oportunidade de conversar com os maiores especialistas no assunto, pessoas que atuam no monitoramento e controle desta praga, além de poder ver os equipamentos utilizados no controle”, destaca o fiscal estadual agropecuário de Itaqui, Juliano Goulart Ritter.

Para André Ebone, fiscal estadual agropecuário de Horizontina, a participação no treinamento é muito importante, para ter a capacidade de gerir facilmente uma situação de emergência fitossanitária.

“Nós vimos que estamos alinhados em muitos aspectos, especialmente na tecnologia de aplicação.

O que nos faltava era a experiência sobre os hábitos dos gafanhotos migratórios e assim foi possível compartilhar e aprender com as pessoas que realmente estão na linha de frente desse problema.”

O caso de 2020

O Rio Grande do Sul, no ano de 2020, esteve sob ameaça de ingresso de uma nuvem de gafanhotos migratórios sul americanos (Schistocerca cancellata), que esteve localizada na cidade argentina de Federación, Província de Santa Fé, a cerca de 100 km do oeste do Estado do Rio Grande do Sul.

O risco de ingresso da nuvem de gafanhotos no Brasil naquele momento exigiu que fosse declarada Emergência Fitossanitária devido ao elevado poder destrutivo aos cultivos agrícolas. Durante dois meses, o país vizinho monitorou, localizou e controlou aproximadamente 10 nuvens de gafanhotos.

Em função da proximidade desta nuvem com o Brasil, o Ministério da Agricultura publicou a Portaria MAPA nº 201, em 24/06/20, declarando emergência fitossanitária.

E, em 29/06/2020, foi publicada a Portaria MAPA nº 208, detalhando o plano de supressão da praga em caso de ingresso no país.

A Secretaria da Agricultura publicou a Instrução Normativa nº 17/2020, com o plano de emergência para o controle da praga.

“Durante mais de dois meses realizamos o monitoramento da nuvem da Argentina, pois havia risco iminente de ingresso na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, já que ela estava há uma distância inferior a cem quilômetros, que pode ser percorrida em apenas um dia pelo gregário”, lembra Felicetti.

A extensão estimada da nuvem era de 30 km2, com potencial de perdas calculado entre R$ 1 a 3 milhões por dia de infestação, dependendo da cultura afetada.

Durante o período de monitoramento, foram feitas atividades conjuntas com os órgãos de defesa da Argentina e do Uruguai.

As nuvens de gafanhotos migratórios sul americanos Schistocerca cancellata são eventos desencadeados em fases migratórias cíclicas que perduram de 8 a 15 anos.

Por isso, o risco de ocorrências no território Argentino e de ingresso no Brasil ainda existe. Anos com menor volume de chuvas favorecem a dispersão da espécie na fase migratória ao nosso território, e as últimas safras têm se caracterizado pelo déficit hídrico.

“Em função do potencial de perdas da praga e do risco de ocorrência durante os próximos anos, é fundamental a presença da Defesa Agropecuária Estadual neste evento, para qualificação do trabalho de vigilância e troca de experiências no monitoramento e controle da praga”, afirma o diretor do DDV. Segundo o SENASA, atualmente as condições ambientais são favoráveis para a ocorrência de nuvens de gafanhotos migratórios.

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