Deputados comentam suspensão da lei que proíbe leilão da folha das prefeituras

Os deputados analisaram com cautela a liminar expedida pelo desembargador Osvaldo Stefanello, suspendendo a lei que obriga as prefeituras gaúchas a manterem a folha de pagamento dos seus servidores no…
Os deputados analisaram com cautela a liminar expedida pelo desembargador Osvaldo Stefanello, suspendendo a lei que obriga as prefeituras gaúchas a manterem a folha de pagamento dos seus servidores no Banrisul. Proposta pelo deputado Gilberto Capoani, a Lei 12.902 foi sancionada pela governadora Yeda Crusius no dia 15 de janeiro. Um dia depois, o prefeito de Gravataí, Sergio Stasinski, ingressou na Justiça com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade.

Seu Título Aqui
Siga o Litoralmania no Google e fique por dentro das últimas notícias do Litoral, RS, Brasil... Seguir no Google

Gilberto Capoani disse que a liminar de Osvaldo Stefanello é isolada, ainda não passou pelo colegiado do Tribunal de Justiça (TJ) e, na sua opinião, equivocada pois “a gestão dos recursos das prefeituras, do Estado, por bancos privados fere tanto a Constituição Federal quanto a Federal”.

O peemedebista recebeu a informação de que a decisão do TJ será encaminhada aos poderes Executivo e Legislativo para que ambos possam contrapor. Caso a decisão definitiva seja pela suspensão da Lei, Capoani reconhece que não restará outra alternativa senão cumprí-la.

Já o líder da bancada do PTB, deputado Iradir Pietroski, apóia a liminar de Stefanello e defende uma análise mais profunda da questão. Segundo ele, a guerra dos bancos privados na atração por novos clientes está prejudicando os próprios cidadãos, que “são atraídos por perfumarias das instituições”. Ele vai além: “nunca os banqueiros ganharam tanto dinheiro como no governo Lula com a falta de controle do Banco Central sobre a concorrência entre as instituições”.

Pietroski foi autor de uma emenda ao projeto do deputado Gilberto Capoani, proibindo a instituição financeira, contratada para efetuar o pagamento da folha salarial, de cobrar dos servidores tarifas sobre os serviços de manutenção da conta corrente, cartão magnético ou talão de cheques e de um extrato mensal. A emenda também foi sancionada pela governadora Yeda Crusius.

O líder da bancada do PT na Assembléia, deputado Raul Pont, considerou a decisão do desembargador formal, sem levar em consideração a realidade que vive o Rio Grande do Sul. “O Banrisul tem um papel social e político e uma relação estreita com os municípios, que nenhum outro banco que visa somente o lucro tem. Portanto, a liminar baseada somente na lei da concorrência e nos princípios gerais da Constituição não pode ser aplicada da mesma forma do Oiapoque ao Chuí”, ressaltou.

O petista espera que o julgamento do mérito reconheça a realidade do Banrisul e a contextualize como um instrumento a serviço dos cidadãos. Pont coordena no Legislativo gaúcho a Frente Parlamentar em Defesa Patrimônio Público.

Por sua vez, o deputado Gilmar Sossella (PDT) considerou sensata a decisão do Tribunal de Justiça, baseado no que determina a Constituição. Ele defendeu a mantenção da folha de pagamento das prefeituras em bancos públicos, não necessariamente no Banrisul, apesar das sua importância para fomentar a economia gaúcha. “Reconheço o Banrisul como um banco voltado para o desenvolvimento do Rio Grande do Sul, mas existem outras instituições financeiras públicas, como a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil, que podem oferecer um serviço de qualidade às prefeituras”, salientou.

Receba as principais notícias no seu WhatsApp

Sossella protocolou na Assembléia Legislativa, no ano passado, projeto de lei que dispõe sobre o pagamento da folha dos servidores dos Três Poderes, do Ministério Público, Defensoria Pública, Tribunal de Contas do Estado e dos municípios em instituições financeiras oficiais. O projeto foi arquivado no dia 7 de fevereiro de 2008.

Este conteúdo foi produzido em parceria com colaborador do Portal Litoralmania. O Litoralmania revisa, edita e publica o material assegurando qualidade, apuração e transparência, mantendo seu compromisso com informações confiáveis e bem fundamentadas.

Comentários

Comentários

Notícias relacionadas