Estudo mostra causa surpreendente para o aumento de ciclones

Ciclone de trajetória e força atípica na costa gaúcha: MetSul emite alerta

Durante as últimas décadas o mundo busca reduzir a contaminação por partículas no ar, uma boa notícia que, segundo um novo estudo científico, resultou em um efeito inesperado: o aumento dos ciclones tropicais.

Os últimos dois anos tiveram temporadas hiperativas de ciclones tropicais no Atlântico.

“A redução da poluição atmosférica dos Estados Unidos e Europa ajudou enormemente a saúde humana, mas minha pesquisa demonstra que, às vezes, coisas boas têm consequências indesejadas”, disse por videochamada o autor do estudo, Hiroyuki Murakami, da Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera (NOAA).

O trabalho publicado nesta semana na revista Science Advance indicou que, nas últimas quatro décadas, o número de tempestades tropicais aumentou em 33% no Atlântico Norte, como consequência de 50% de diminuição nos aerossóis (pequenas partículas contaminantes) na América do Norte e Europa.

“A contaminação atmosférica bloqueia os raios do sol, o que provoca o resfriamento da superfície do oceano, algo que gera condições desfavoráveis para os furacões”, explicou Murakami. “O contrário acontece se a contaminação atmosférica cai. O sol consegue esquentar mais o oceano, e esse aquecimento alimenta os furacões”, acrescentou.

Nos últimos 40 anos, a Europa e a América do Norte têm sido líderes na redução da poluição atmosférica por partículas da indústria, automóveis, energia e outras fontes.

A crescente ausência de poluição do ar causada pelo homem no Hemisfério Norte, estimada em uma queda de 50% na concentração de 1980 a 2020, levou ao aquecimento da superfície do Oceano Atlântico tropical, o que contribui para ciclones tropicais mais frequentes. Sem quantidades significativas de poluição particulada para refletir a luz solar, o oceano absorve mais calor e aquece mais rapidamente.

O aquecimento do Oceano Atlântico tem sido um ingrediente chave para um aumento de 33% no número de ciclones tropicais durante este período de 40 anos, disse Murakami.

Embora vários estudos recentes tenham examinado como o aumento das emissões de gases de efeito estufa está afetando a atividade global dos ciclones tropicais, Murakami aborda a área menos estudada e altamente complexa de como a poluição por partículas em combinação com as mudanças climáticas está afetando os ciclones tropicais em diferentes áreas do planeta. Murakami chegou a essas conclusões usando o modelo climático de última geração desenvolvido na NOAA GFDL.

A diminuição da poluição também levou a um aquecimento das latitudes médias e altas no Hemisfério Norte. Este aquecimento da terra e do oceano está causando o movimento constante em direção aos polos da corrente de jato dos trópicos em direção ao Ártico.

A mudança da corrente de jato levou ao enfraquecimento dos ventos de Oeste na troposfera superior na bacia do Atlântico tropical. Ventos mais fracos, por sua vez, significam que há menos diferença entre a velocidade dos ventos na troposfera inferior e superior ou menor cisalhamento do vento.

Com pouco cisalhamento do vento, os ciclones tropicais são capazes de se desenvolver e crescer em força sobre o Oceano Atlântico.

O estudo comprovou uma situação contrária na Ásia onde, no mesmo período, um aumento de 40% da poluição por partículas contribuiu para que o número de ciclones tropicais no Oeste do Pacífico Norte caísse em 14%.

Com esses resultados, Murakami se pergunta se as temporadas de furacões muito ativas dos últimos anos tiveram ligação com a desaceleração da indústria provocada pela pandemia.

Leia na íntegra via MetSul.

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