Realidade virtual auxilia no treinamento de policiais militares no RS

Uma tecnologia inovadora passou a ser utilizada de forma inédita no Rio Grande do Sul para auxiliar no treinamento de policiais militares.

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Óculos de realidade virtual desenvolvidos por estudantes universitários estão sendo incorporados na preparação de agentes da Brigada Militar para aperfeiçoar o atendimento às ocorrências.

Simulando diversos cenários e atividades ligadas à rotina policial, a ferramenta pode ajudar no enfrentamento de situações complexas.

Elaborada pelo Centro Universitário UniRitter, a ferramenta transporta a realidade para dentro do ambiente virtual. Os óculos permitem ao policial imergir em diferentes ambientes, reproduzindo atividades que exigem conhecimento técnico.

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O objetivo é aperfeiçoar o trabalho dos policiais militares, tornando sua atuação cada vez mais precisa e assertiva.

Segundo o comandante do 1º Batalhão da Polícia Militar (BPM), Major Costa Limeira, o projeto é pioneiro em todo o Brasil.

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“Fizemos um mapeamento e identificamos que nenhuma outra polícia do país tem uma ferramenta como essa.

Existem simuladores de realidade virtual, mas não há referência no Brasil de um formato construído e direcionado, desde o princípio, para a atividade policial militar”, afirmou.

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“Além disso, essa ferramenta propõe uma visão integrada e multidisciplinar, envolvendo, dentro da mesma aplicação, tanto o treinamento policial como a possibilidade de atendimento psicológico e de avaliação de saúde e nível de estresse do policial. Não encontramos um modelo semelhante até o momento.”

BM Verso

Como utiliza a plataforma Metaverso, o recurso foi denominado BM Verso. A ideia surgiu em março deste ano, quando o 1º BPM conheceu ferramentas de realidade virtual desenvolvidas pela UniRitter para o treinamento de profissionais da área da saúde.

O batalhão propôs, então, a criação de recursos voltados para o contexto do policial militar. A instituição de ensino topou o desafio e apresentou um protótipo um mês depois.

Posteriormente, a ferramenta foi sendo aperfeiçoada a partir da colaboração dos próprios militares, que puderam testar a tecnologia e apresentar ideias e sugestões. Com base nas vivências e no cotidiano da carreira militar, os alunos inseriram e ajustaram funcionalidades e elementos, tornando a ferramenta cada vez mais fidedigna. Na plataforma, há reproduções do 1º BPM e de ruas e prédios de Porto Alegre.

Ao colocar os óculos de realidade virtual, o policial é exposto a uma série de situações nas quais é desafiado a agir e a escolher a melhor conduta.

“Temos a certeza de que vai ser uma excelente ferramenta para o treinamento e, principalmente, para o aperfeiçoamento do processo de tomada de decisão por parte dos policiais”, acrescentou Limeira.

Dentro do BM Verso, foram desenvolvidos, inicialmente, três módulos de treinamento: um estande de tiro, que reproduz, de forma realista, o manuseio de armas; o atendimento de ocorrências, que permite a simulação de vários cenários, com múltiplas possibilidades de desfechos, considerando diferentes reações dos autores e das vítimas e medidas que o policial pode adotar; e uma sala de atendimento psicológico, na qual o policial poderá receber, dentro do ambiente virtual, atendimento por parte de outros profissionais.

Para o módulo de atendimento de ocorrências, foi criada, a princípio, uma situação de violência doméstica, enquadrada na Lei Maria da Penha.

A definição desses três módulos partiu da observação das próprias necessidades de treinamento dos profissionais. Os policiais do 1º BPM foram os primeiros a testar o equipamento, mas a ideia é expandir o projeto para toda a corporação.

“Faremos uma validação no 1º BPM, seguindo uma coordenação do Comando Geral da corporação e do Laboratório de Polícia Inteligente, para que possamos, primeiramente, desenvolver os módulos já existentes, aumentando as possibilidades e o acesso dos policiais militares.

O objetivo é não só incorporar a ferramenta em nossos cursos de formação, mas também estender a todas as unidades, nos treinamentos de rotina”, ressaltou Limeira.

Sensação real

O professor Luciano Bessauer, coordenador da área de tecnologia da UniRitter, explicou como funciona a plataforma.

“Na realidade virtual, o ambiente é construído de forma a representar exatamente os locais onde as ocorrências acontecem.

O policial anda pelas ruas, reconhece esses lugares, visualiza as características da região e do bairro e os movimentos. Tudo isso está presente”, disse. “O Metaverso é um ambiente virtual no qual tudo está representado como se fosse real.”

A soldado Jéssica Andressa Moraes da Silva, que atua na Brigada Militar há três anos, participou dos testes dos equipamentos.

“Há um lema na Brigada que diz que o treinamento leva à perfeição. Esse projeto nos trouxe uma forma de aperfeiçoamento. O equipamento vai agregar muito aos nossos treinamentos e ajudará no processo de aprendizagem, porque podemos manusear as armas e treinar diversas vezes, de diferentes formas”, detalhou.

“Na linha de tiro, por exemplo, a sensação é real. É como se estivesse efetuando os disparos mesmo: o som, a vibração do equipamento, o manuseio e as travas de segurança. É possível sentir tudo isso no Metaverso.”

Para Bessauer, a ferramenta pode ter um grande alcance e proporcionar muitos benefícios para a área da segurança pública no Estado. “É um recurso que quebra barreiras e pode, inclusive, levar à economia de recursos financeiros.

Por exemplo, policiais de Uruguaiana não precisariam vir a Porto Alegre para receber determinados tipos de treino. É uma tecnologia que permite um treinamento preciso e mais assertivo, proporcionando também um olhar para a saúde mental do policial”, destacou.

Juliana Dias/Secom – Felipe Borges/Secom

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