Brasil não teme mudanças na Venezuela, diz Patriota

O governo brasileiro descarta a possibilidade de transtornos em um eventual processo de transição na Venezuela, caso as condições de saúde do presidente reeleito, Hugo Chávez, o impeçam de tomar…
O governo brasileiro descarta a possibilidade de transtornos em um eventual processo de transição na Venezuela, caso as condições de saúde do presidente reeleito, Hugo Chávez, o impeçam de tomar posse na data prevista (10 de janeiro). Nos últimos dias, aliados do presidente sinalizaram que pretendem mudar a data da posse para garantir que Chávez assuma o poder. No entanto, a oposição venezuelana indicou que não aceita alterar a data.

Segundo o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, o ambiente na Venezuela é de respeito à ordem democrática e às instituições. A discussão sobre mudanças na data da posse ganhou força nos últimos dias com o agravamento do estado de saúde de Chávez, que permanece em Cuba, dez dias depois de uma cirurgia para retirada de um tumor maligno na região pélvica.

“Não há razão para suspeitar que na Venezuela não ocorra a plena vigência democrática”, disse hoje (21) o chanceler, em conversa com jornalistas responsáveis pela cobertura da área internacional. “Há questões constitucionais que compete aos venezuelanos resolver de maneira consensual e que contemple a ordem democrática.”

Para Patriota, o ideal é que a sociedade venezuelana seja ouvida sobre o processo político. “É uma situação inusitada que exigirá, primeiramente, uma avaliação da sociedade venezuelana. O importante é que o processo seja transparente.”

O estado de saúde de Chávez é cercado por uma série de incertezas, pois as autoridades venezuelanas admitiram que a cirurgia, de mais de seis horas, foi complexa, que houve um sangramento e, posteriormente uma infecção respiratória. As informações sobre o estado de saúde do presidente nem sempre são diárias e repetem-se sobre o fato de ele estar estável e consciente.

Desde o ano passado, Chávez luta contra um câncer na região pélvica. Em 18 meses, ele fez quatro cirurgias e enfrentou a campanha pela reeleição contra o adversário, Henrique Capriles. Inicialmente, o presidente chegou a dizer que estava curado da doença. Antes de viajar para Cuba, onde fez a cirurgia, ele se despediu dos venezuelanos e pediu que apoiem o atual vice-presidente da República, Nicolás Maduro, no caso da sua ausência.

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Pela Constituição da Venezuela, caso Chávez não tenha condições de tomar posse no próximo dia 10, assume o poder o presidente da Assembleia Nacional, Diosdato Cabello, e, em 30 dias, devem ser convocadas eleições presidenciais. Se houver eleições, são apontados como candidatos Maduro e Capriles, que venceu as eleições para o governo do estado de Miranda.

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